Valadares: reforma é fundamental

Da Redação | 09/06/2005, 00h00

 
O senador Antônio Carlos Valadares (SE), líder do PSB, afirmou que a reforma política é fundamental para efetivar as mudanças de que o Brasil precisa. Na opinião do senador, a proposta de alteração das regras da política eleitoral e partidária resulta de um paradoxo: de um lado, a liberdade de ação política e a participação popular e, de outro, a deterioração progressiva da classe política brasileira.

O senador lembrou que o Legislativo tem sido acusado de "moroso e subserviente" às vontades do Poder Executivo. Este responsabiliza o Congresso pela falta de políticas e projetos, quando, na realidade, é o próprio Executivo que, com as medidas provisórias, provoca o retardamento das mudanças necessárias ao crescimento do país. Valadares acredita que a reforma deve fornecer as condições para um "relacionamento produtivo e eficaz" entre o Executivo e o  Legislativo, resgatando a imagem do Congresso Nacional e respeitando a vontade do eleitor.

A proposta, avalia, tem esbarrado em dificuldades para tramitação na Câmara dos Deputados.

- A dificuldade está na fidelidade partidária. Temos assistido a quadros vergonhosos, sobre os quais pesa uma névoa de suspeita, em que mandatos e partidos são instrumentos de negócios escusos - disse o senador.

Valadares disse não ter posicionamento definido sobre a verticalização - que obriga os partidos políticos a repetirem em nível estadual e municipal as coligações realizadas em âmbito federal. Na sua opinião, embora a verticalização tenha "princípios louváveis", como o de conduzir os partidos a um nível máximo de coerência, na prática ela "caminha na contramão da cultura nacional e da própria federação".

- O arranjo político no Brasil começa no plano local e, a partir daí, se nacionaliza - lembrou o senador, dizendo ser favorável ao sistema misto de listas partidárias, no qual 50% das vagas são ocupadas pelos candidatos prioritários do partido e os outros 50%, pelo voto proporcional.

Quanto ao financiamento público das campanhas, o senador afirmou que ele acabaria com a "hipocrisia de se prestar contas ao TSE" e, na realidade, gastar-se o dobro ou o triplo do montante declarado.

O senador foi aparteado por Sibá Machado (PT-AC).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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