Presidente de Banco Central do Chile diz que autonomia da instituição reduziu inflação naquele país

Da Redação | 07/06/2005, 00h00

Em audiência pública, nesta terça-feira (7), na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sobre a  regulamentação do Sistema Financeiro e a autonomia do Banco Central, o presidente do Banco Central  do Chile,Vittorio Corbo, afirmou que o processo de autonomia da instituição que preside, implantado em 1989, marcou o início de um período de significativa redução inflacionária no país. Segundo ele, depois de décadas de alta inflação,  a economia chilena experimenta hoje um prolongado período de inflação baixa e estável, e ambiente favorável ao crescimento e à redução da pobreza.

- Antes de 1989, a inflação anual no Chile estava na casa dos 30%  e, aos poucos, foi sendo reduzida, até chegar ao patamar de 3% ao ano, índice  alcançado repetidamente nos últimos quatro anos - disse.

Presidente do Banco Central chileno há dois anos, Corbo afirmou que a autonomia dos bancos centrais aumenta a credibilidade na instituição, o que ajuda a reduzir a taxa inflacionária.

- Isso porque  os bancos centrais autônomos ficam menos expostos à economia monetária dos governos - afirmou Vittorio Corbo.

 Na opinião do presidente do Banco Central Chileno, não existe uma fórmula para se medir a autonomia de um Banco Central. No entanto, ele considera que uma dessas medidas é o grau de autonomia que a instituição dispõe para atingir seus objetivos, com base  na duração do mandato do presidente e dos diretores  e no poder de decisão que tem.

-  Não há interferência política nas decisões do nosso Banco Central, porque os cinco conselheiros (que atuam no lugar dos diretores brasileiros) , entre eles eu, são eleitos pelo Senado Federal e somente nomeados pelo presidente da República para um mandato de dez anos. Assim, eles  ficam protegidos das pressões políticas e da troca de governos e somente são destituídos se falham em sua missão - explicou.

Outra medida de autonomia importante apontada por Corbo é a transparência na divulgação das ações implantadas pelo Banco Central.

- A política de transparência e comunicação do Banco Central do Chile inclui a publicação do informe de Política Monetária, documento cujo objetivo é informar o público sobre a evolução da economia, com possíveis desdobramentos no nível de desemprego e das decisões políticas - informou, ao lembrar ainda que há outras publicações, como a minuta das reuniões do conselho e os  comunicados à imprensa.

Estabilidade

Segundo Vittorio Corbo, a diretoria do Banco Central chileno está consciente do seu papel na política monetária e age no sentido de alcançar a estabilidade de preços. A instituição chilena orienta o mercado estabelecendo um esquema de metas de inflação em longo prazo. A cada três meses, o presidente do Banco Central presta contas da sua atuação e dessas previsões ao Senado, apontando os rumos da economia.

No sentido de alcançar a estabilidade no país, o Banco Central, em 2001, decidiu, de acordo com Corbo, estabelecer uma meta inflacionária de 3% ao ano, que pode variar de 2 a 4%.

- Quando há uma crise e a inflação fica muito abaixo ou acima dessa meta, não procuramos equilibrá-la imediatamente. Estabelecemos um período razoável de 12 a 24 meses para voltarmos ao patamar desejado - afirmou, ao explicar que, como no Brasil, o caminho adotado  no Chile é alterar as taxas de juros.

O presidente do Banco Central chileno destacou ainda que o esquema de metas de inflação do Banco Central é bastante desenvolvido, embora possibilite algumas incertezas devido ao longo prazo de projeção.

- Assumimos alguns riscos, mas somos bastante cuidadosos - garantiu.



Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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