Demostenes compara crise ao "impeachment" de Collor

Da Redação | 06/06/2005, 00h00

O senador Demostenes Torres (PFL-GO) afirmou, nesta segunda-feira (6), que a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que ele chamou de a "CPI do Governo Lula", para apurar denúncias de corrupção, "tornou-se inexorável". As conseqüências da investigação, disse, podem levar a um "impasse institucional" semelhante ao que levou ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo.  

- Vejo que há muita similaridade. Apenas se inverteu o termo inicial do mar de lama. O impeachment do ex-presidente ocorreu a partir de uma denúncia da 'cozinha' da Casa da Dinda. O escândalo da vez tem início na Câmara dos Deputados e vai às vísceras do Palácio do Planalto e do partido que está no poder - comparou.

Demostenes resumiu a entrevista dada pelo deputado Roberto Jefferson (PTB) à Folha de S. Paulo, na qual Jefferson relata que o Partido dos Trabalhadores (PT) pagava "mesadas" aos membros da base governista. O "escândalo do mensalão", disse Demostenes, "está adquirindo contornos mais graves a cada minuto". Ele chamou o tesoureiro do PT de "Delúbio PC Soares", em referência ao tesoureiro de Collor, Paulo César (PC) Farias, e disse que "o lobo do PT é o próprio PT".

Diante da declaração do governador de Goiás, Marconi Perillo, que afirmou ter alertado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o pagamento das mesadas há um ano e meio, o senador questionou porque o esquema só foi interrompido em janeiro de 2005, segundo Jefferson.

O parlamentar criticou os argumentos de que o trabalho realizado pela Polícia Federal substitui o trabalho do Congresso Nacional.

- É preciso lembrar que a Justiça absolveu Collor. Quem o cassou fomos nós, deputados e senadores. É nosso dever. Nós, além de todos os requisitos constitucionais, podemos conhecer a questão politicamente - defendeu.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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