Heloísa lamenta retirada de assinaturas da CPI dos Correios

Da Redação | 20/05/2005, 00h00

A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) repudiou em Plenário a retirada de assinaturas de deputados do requerimento para criação da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que investigará denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Ela acusou o que chamou de "base de bajulação do governo" de tentar enfraquecer as CPIs.

- A CPI é o único instrumento que o Congresso possui para cumprir a nobre tarefa de fiscalizar os atos do Executivo. Ela é tão importante que a Constituição Federal lhe delega poder de investigação próprio da atividade judiciária - afirmou a parlamentar.

Para Heloísa, a retirada das assinaturas, revelada pelos jornais desta sexta-feira (20), causa "mais tristeza do que indignação", já que, a seu ver,  as mesmas pessoas que antes patrocinavam palavras de ordem de impacto público para instalar CPIs hoje articulam a retirada de nomes para inviabilizá-las. Ela lamentou ainda que a publicação dessas notícias com as "minúcias da base de bajulação" enfraquece o poder público e legitima a idéia já arraigada na população de que "os políticos são todos iguais":

 - É muito ruim esse momento que vivemos. Cada vez mais a opinião pública despreza as instâncias de decisão política.

O requerimento de criação da CPMI foi protocolado na quarta-feira (18) e obteve a assinatura de 217 deputados e 49 senadores. Está marcada uma sessão do Congresso Nacional para a próxima quarta-feira (25), às 10h, quando será lido o requerimento e instalada a comissão parlamentar. Os deputados e senadores podem retirar ou incluir suas assinaturas até a manhã de quarta-feira. 

Heloísa Helena pediu ainda aos senadores para não tomarem a decisão, que chamou de covarde, de recuar do apoio à CPI. Ela também considerou o debate sobre a reforma política como "uma farsa submetida às conveniências das eleições de 2006". Para a senadora, existe um jogo de conveniência política, especialmente em relação ao uso do dispositivo da fidelidade partidária que, atualmente, em sua opinião, não se trata de fidelidade aos programas do partido, "mas ao chicote do líder". 

Heloísa Helena pede que Congresso exerça sua função de fiscalizar execução orçamentária

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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