Ministra Matilde Ribeiro defende luta contra a discriminação

Da Redação | 13/05/2005, 00h00

A ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, ressaltou, durante audiência pública para discutir questões raciais, realizada nesta sexta-feira (13) no Plenário do Senado, que cabe a cada cidadão brasileiro indignado com a injustiça agir para a superação do racismo. Para ela, não é preciso ser político,  subir em palanques,  nem se reunir "por horas e horas", mas apenas agir com firmeza, como fez o jogador de futebol do São Paulo, Grafite - vítima de discriminação cometida pelo jogador argentino Leandro Desabato e homenageado em Plenário.

- A superação do racismo é uma tarefa árdua que deve ser executada diariamente - reafirmou.

Matilde citou como exemplo de fortalecimento à luta contra a discriminação a atitude da família do dentista Flávio Santana, morto em 2004, em São Paulo, numa blitz policial, que se tornou militante da causa. Ela acrescentou ainda que, hoje, ao contrário do que ocorria com os negros capturados na África e escravizados, é possível lutar.

- Hoje temos sorte de bradar publicamente pela liberdade e pela justiça. E foi a resistência de milhares que nos possibilitou estar aqui, fazendo uma reflexão e mostrando disposição para mudanças - destacou.

A atuação do governo federal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criou a secretaria, também foi destacado pela ministra, ao ressaltar que, pela primeira vez na história, existe um ministério para tratar do assunto. Ela relembrou que 2005 é o Ano Nacional da Promoção da Igualdade Racial e anunciou também a realização da Primeira Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, entre os dias 30 de junho e 2 de julho próximos.

- A conferência vai ser realizada em Brasília e vai ser um marco para mostrarmos nossas ações e dificuldades e para demonstrarmos que o governo deve se comprometer com a superação das desigualdades e que devemos, sim, pagar a dívida histórica com a população escravizada.

A ministra Matilde pediu ainda a aprovação, pelo Congresso Nacional, do Estatuto da Igualdade Racial e do projeto de lei que garante cotas nas universidades para alunos negros e indígenas oriundos de escolas públicas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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