Grafite pede engajamento de todos na luta contra o preconceito

Da Redação | 13/05/2005, 00h00

O jogador Grafite, do São Paulo Futebol Clube, pediu, nesta sexta-feira (13), durante audiência pública para debater questões raciais, que todas as vítimas de discriminação, seja em relação à raça , à cor ou ao sexo,  recebam o mesmo tratamento e apoio que ele recebeu de todos os brasileiros.

O jogador foi insultado devido à cor de sua pele pelo colega argentino Leandro Desabato,  no  último dia 13 de abril, durante o jogo entre o São Paulo e o Quilmes, da Argentina. Desabato saiu preso do jogo e levado para a uma delegacia de polícia, em São Paulo.

- Nem todas as pessoas têm a mesma visibilidade que eu tenho por ser jogador de futebol. Mas peço o mesmo respaldo que tive para todos que sofrem discriminação. Essa é uma luta que também estou iniciando a partir de hoje - afirmou.

Ao sair da audiência pública, , afirmou que agora percebe a dimensão de sua atitude, quando procurou "preservar seus direitos de cidadão".
- Estou feliz pelo reconhecimento, mas sempre friso que quero ser reconhecido pelo que faço dentro de campo - frisou.

Grafite destacou que faz parte da luta contra a discriminação racial e que se sente feliz por "representar milhões de negros". Ele afirmou ainda que pretende levar o caso adiante e que na próxima semana deve apresentar queixa-crime à Justiça contra Desábato, o que obriga o argentino a retornar ao Brasil.

Solidariedade

 Na  audiência, o senador Tião Viana (PT-AC), presidente da sessão, apresentou a Grafite voto de solidariedade do Senado. No último dia 14 de abril - um dia após o jogo em que Grafite foi insultado por Desabato -, o senador Paulo Paim (PT-RS) apresentou o Requerimento 274/05, pedindo que o Senado se posicionasse em relação à atitude preconceituosa do jogador argentino, com voto de solidariedade à Grafite. Paim justificou o pedido, classificando o acontecimento  como "de alta significação nacional e internacional".

- No momento em que vemos uma onda crescente de atos de racismo no mundo todo e, com o agravante desses incidentes ocorrerem no meio esportivo, onde se tem o mais alto sentimento de realização patriótica e pessoal, não podemos deixar de enaltecer a atitude desse atleta que corajosamente se pôs contra a discriminação e a injúria do racismo - justificou  Paim.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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