Capiberibe lamenta a fragilidade da democracia na América do Sul
Da Redação | 25/04/2005, 00h00
- Nós não conseguimos democratizar a economia dessas nações, o que leva o povo à desesperança, às rebeliões e à deposição de presidentes - ponderou o representante do Amapá.
Para o senador, os altos índices de desemprego, a exclusão social, a dificuldade da maioria da população em ter acesso aos bens de consumo e a elevada dívida pública são as principais causas da instabilidade política da região. O senador argumentou que, no Brasil, o governo gastou, em 2004, treze vezes mais com o pagamento de juros da dívida externa do que com investimentos em infra-estrutura. Devido à falta de recursos, muitos anseios populares deixam de ser atendidos, o que leva, conforme Capiberibe, à desesperança.
As negociações do Equador com o governo dos Estados Unidos para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) é, de acordo com o parlamentar, outra razão para a deposição de Gutiérrez. O senador alegou que o ex-presidente equatoriano firmou o compromisso, em sua campanha eleitoral, de não negociar o ingresso de seu país na ALCA, mas a promessa não foi cumprida, revoltando a população.
Capiberibe, que foi exilado durante a Ditadura Militar, elogiou a atitude do Itamaraty, ao conceder asilo a Gutiérrez. O ex-presidente, que chegou ao Brasil neste domingo (24) , foi deposto pelo Congresso do Equador no último dia 20 de abril, após vários protestos populares contra seu governo. A crise política iniciou-se quando Gutiérrez decretou estado de sítio na capital Quito e dissolveu a Corte Suprema de Justiça. Destituído do cargo, o ex-presidente solicitou asilo político ao Brasil, o que foi concedido, sob a condição de que ele não dê declarações sobre a política de seu país. Nos últimos cinco anos, Bolívia, Venezuela e Argentina também passaram por graves crises políticas.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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