Presidente da Petrobras diz que busca alternativas para sanar prejuízos da Petros

Da Redação | 15/03/2005, 00h00

Em virtude da realização de uma audiência pública previamente marcada na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) destinada a instruir a Medida Provisória (MP) 226/04), que estabelece novas regras para a política de microcrédito do governo federal, e que está trancando a pauta dos trabalhos do Senado, as lideranças partidárias decidiram adiar para o próximo dia 29, a partir das 10h, o depoimento, no colegiado, do presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, que estava marcado para esta terça-feira (15).

A informação foi prestada pelo próprio José Eduardo Dutra após reunião com o presidente da CAE, senador Luiz Otávio (PMDB-PA), e líderes do governo e da oposição. Segundo eles, a reunião destinada a instruir a MP, que contou com a presença do secretário executivo do Grupo de Trabalho Interministerial de Microfinanças e do Microcrédito, Gilson Bettencourt,  tinha maior urgência, já que está obstruindo a pauta dos trabalhos da Casa.

Mesmo assim, José Eduardo Dutra antecipou parte dos temas que, certamente, irão dominar a audiência pública do dia 29, proposta pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). Ele disse que "não tem qualquer sentido", por exemplo, afirmar que houve um rombo nos cofres da empresa em virtude  dos prejuízos verificados no Fundo de Previdência da Petrobras (Petros). A estimativa é de que os prejuízos podem chegar a R$ 8,3 bilhões.

- O que ocorreu foi um déficit atuarial ao longo dos anos no Plano Petros, com destaque para o setor de pagamento de benefícios, como aposentadorias, e que foi lançado, conforme determina a lei, no balanço da Petrobras, já que possíveis prejuízos na Petros são de responsabilidade da empresa - informou José Eduardo Dutra. Mas garantiu que a Petrobras, até o presente momento, não realizou qualquer aporte de recursos para cobrir prejuízos financeiros da Petros.

                                         Samba e petróleo                          

Dutra informou, entretanto, que a direção da empresa ainda não tomou uma decisão de como irá cobrir o déficit, apesar de lembrar que de acordo com atuais regras, 50% dos prejuízos devem ser cobertos pela patrocinadora (no caso a Petrobras) e os outros 50% pelos participantes do plano. E disse que está buscando alternativas para sanar a Petros.

Informou ainda que para este ano está prevista uma produção média de 1 milhão e 700 mil barris/dia, em comparação a 1 milhão e 494 mil barris/dia do ano passado. O principal motivo do registro da queda da produção em 2004, segundo ele, foi o atraso da entrada em funcionamento de três plataformas de exploração de petróleo, que representariam cerca de 450 mil barris de óleo por dia, e que ocasionou uma redução de produção de 2,8%, "a ser plenamente compensada neste ano com a entrada em operação das plataformas".

Com relação aos R$ 2,5 milhões que a Petrobras destinou à escola de samba Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro, para o Carnaval deste ano, José Eduardo Dutra foi enfático: trata-se apenas de um "marketing de relacionamento". Disse ser um investimento que tem retorno, sendo prática comum em empresas do porte da Petrobras.

- A Petrobras não é uma repartição pública. É uma empresa que possui uma política de marketing vitoriosa - salientou José Eduardo Dutra, para quem o dinheiro concedido à escola de samba Mangueira, "não foi um patrocínio, mas um investimento".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: