Paim: movimento sindical poderá "remar" contra reeleição de Lula se governo encaminhar ao Congresso reforma sindical
Da Redação | 22/11/2004, 00h00
Depois de informar aos sindicalistas que, como petista, é do governo Lula, o senador disse também que é um equívoco do governo encaminhar o debate sobre uma reforma trabalhista com a qual necessariamente os trabalhadores perderão e "não avançarão".
- Espero que o governo não mande essa proposta. Há sinais no horizonte de que o governo está recuando - disse.
À pergunta de El Aziz, da Confederação Democrática do Trabalho do Marrocos, sobre o que impede o PT, que está no poder, de tomar medidas em favor dos trabalhadores, como o aumento do salário mínimo, Paim respondeu:
- A mesma pergunta eu gostaria de fazer ao presidente Lula. Sou considerado um rebelde nessa história. O que eles dizem é que pegaram o governo em uma situação difícil e que nos dois primeiros anos têm de colocar a casa em ordem. Dizem: 'te acalma, Paim, porque a partir do terceiro ano cuidaremos da área social'.
O senador acrescentou que, em sua avaliação, o PT não foi bem nas últimas eleições porque entrou numa linha "quase de choque" com o movimento sindical, não apresentou iniciativas na área social e se afastou da classe média.
- Estou na expectativa de que o sonho possa se tornar realidade. Até o momento, estou ainda no sonho - acrescentou.
O 1º vice-presidente informou aos representantes de entidades de trabalhadores que, em novembro de 2005, deverá acontecer a Marcha sobre Brasília, inspirada na Marcha sobre Washington, liderada por Martin Luther King em favor dos direitos civis. A marcha, para a qual são esperadas 150 mil pessoas, terá, segundo o senador, dois eixos: o Estatuto da Igualdade Racial e a aprovação da data de 20 de novembro, dia do assassinato de Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra, como feriado nacional.
Paim foi convidado pelos sindicalistas para a abertura oficial, nesta terça-feira (23), em Brasília, do 12º Congresso da Central Latino-Americana de Trabalhadores (Clat). Os representantes da Bélgica, da República Dominicana, do Peru, do México, do Equador, da Índia, do Paquistão, de Bangladesh, do Congo, do Marrocos, da Indonésia e da Malásia participarão, alguns como observadores, do congresso que termina no próximo dia 27.
No início da conversa, Paim relatou sua atuação no Parlamento e seus vínculos com o movimento sindical e falou da divisão que houve nesse movimento em 1983, ano a partir do qual foram criadas várias centrais de trabalhadores. O senador disse que, hoje, há no mínimo 12 centrais sindicais, o que considera um exagero, embora, "democraticamente", respeite isso.
- O movimento sindical gaúcho era muito mais forte quando era coordenado por uma central unitária - observou.
Sobre a proposta de reforma sindical, o senador afirmou que ela divide o movimento sindical e que, da forma como está redigido, o texto permite que o Estado interfira indevidamente na própria organização do trabalhador. Para o 1º vice-.presidente, não há motivo de se alterar a Constituição, que prevê, em seu art. 8º, o princípio da liberdade e da autonomia sindical.
Paim falou ainda sobre a situação do negro no Brasil, sobre o desemprego e a renda do trabalhador, e registrou como boa notícia a decisão do diretório nacional do PT, adotada no último fim de semana, de que o governo deve assumir como uma das principais bandeiras a valorização real do salário mínimo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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