Permanência e atualidade do legado Vargas são destacados em seminário
Da Redação | 01/09/2004, 00h00
A permanência e a atualidade do legado do ex-presidente Getúlio Vargas foram exaltados na abertura do seminário Vargas e o Desenvolvimento Nacional Brasileiro, que integra o ciclo de conferências de 2004 da Secretaria de Informação e Documentação do Senado. No primeiro dia de debates, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, evidenciou a inclinação do atual governo "em beber na fonte do nacionalismo varguista" e viabilizar um projeto de Nação calcado em uma visão arrojada do desenvolvimento do país e no estímulo à auto-estima do povo brasileiro.
- Vivemos um momento em que o nanismo (de projetos) tem que ser eliminado do discurso nacional – afirmou Lessa. A idéia de que o povo brasileiro é único e o maior ativo do país remonta à era Vargas e está presente na proposta de Nação abraçada pelo governo petista, segundo observou o presidente da instituição criada por Getúlio para carrear investimentos públicos para a industrialização nacional. Iniciativa vista com simpatia por Lessa, e que guardaria similaridade com a “visão gigante” de Vargas, seria o apoio do governo federal à transposição das águas do Rio São Francisco e à alteração do traçado da ferrovia Transnordestina.
Na opinião do ministro chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, Aldo Rebelo, o evento promovido pelo BNDES, com o apoio do Senado e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), celebra Vargas como um estadista e líder político com espírito de brasilidade, que buscou a construção de um país autônomo, forte e justo. Quanto ao deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), provocou os críticos da era Vargas a apresentarem propostas melhores para o país.
- É preciso, sim, buscar o que deu certo naquele governo, como a intervenção do Estado para desenvolver a economia - assinalou.
Sobre o trabalhismo, outra herança do período varguista, o presidente nacional do PTB (partido criado por Getúlio), deputado federal Roberto Jefferson (SP), admitiu uma revisão de seus princípios basilares no seio da legenda.
- Hoje, as relações de trabalho não enfrentam a mesma usura que havia na década de 30 - considerou. E comentou o empenho do partido para estar à centro-esquerda do processo político e "reconquistar as massas”.
Em paralelo à análise dos políticos, acadêmicos fizeram reflexões sobre a importância de Vargas na história republicana e na construção da sociedade e do Estado brasileiros. A professora Maria Helena Capelatto, da Universidade de São Paulo, considerou que, embora seja inviável tentar reproduzir políticas da era Vargas, nada impede que políticas atuais se inspirem nesse passado.
- Mas o momento atual exige originalidade na política e economia - advertiu.
O professor Jorge Ferreira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou que o nacional-estatismo da era Vargas se traduziu em Estado forte, interventor da economia, indutor da industrialização e fomentador da cultura nacional.
- Discutir Vargas é refletir sobre o projeto econômico e social que se quer para o Brasil - disse. Para o professor Paulo Vizentini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as bases sociais da democracia estavam presentes no governo getulista, embora o mesmo não fosse democrático.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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