A anunciada reforma sindical e a criação do Conselho Nacional de Jornalistas mostram claramente, na visão do senador Demostenes Torres (PFL-GO), que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pretende desmontar a chamada herança Vargas, conforme apregoam algumas vozes do PT. Para ele, as últimas medidas anunciadas pelo Palácio do Planalto demonstram que o governo passou a descobrir “virtudes no ex-ditador, como o controle da imprensa, das artes e da propaganda”. - A exemplo do presidente Lula, e apesar da formação acadêmica, Getúlio Vargas não era um homem culto nem refinado, mas estava longe de se expor como um patusco (brincalhão, ridículo, conforme o Dicionário Aurélio). Infelizmente, nesta imitação de estadismo, Lula busca Vargas não nas qualidades do brasileiro mais reverenciado de todos os tempos, mas nos instrumentos que fizeram a ignomínia quando Getúlio dispôs de poder absoluto – observou o senador. Para Demostenes Torres, Vargas preparou o país para o capitalismo centrado em um conceito de modernização sem qualquer ideologia e sob os auspícios, conforme observou, da iniciativa estatal, tendo em vista a sedimentação de um poder unitário e totalizante. Já Lula, salientou, “quer honrarias e prerrogativas ditatoriais” para promover o chamado desenvolvimento econômico sustentável. O senador por Goiás classificou ainda de um ato de “impostura e demagogia” o anunciado perdão da dívida de países mais pobres do que o Brasil, como o Gabão, num instante em que, a seu ver, o governo não tem competência para resolver o problema social interno. Ele também condenou o governo pelos gastos exagerados com publicidade nestas olimpíadas.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)