Homenagem a Brizola é importante para vida pública do Brasil, diz Simon

Da Redação | 22/06/2004, 00h00

A pedido do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Ramez Tebet (PMDB-MS), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) homenageou, em nome dos senadores da comissão, o ex-governador e deputado federal, Leonel Brizola, falecido na noite da segunda-feira (21). Para Simon, Brizola prestou inestimáveis serviços ao país.

- Acho que hoje é um dia importante para o Brasil, porque à margem das divergências estamos homenageando um grande homem público, que manteve a coerência da dignidade e o amor a sua pátria - afirmou Simon, que, falando pelos gaúchos, agradeceu a homenagem da CAE, seguido de aplausos.

O senador fez um resumo da biografia de Brizola, por considerar que não é possível compreendê-lo sem saber que, depois de perder o pai nas disputas políticas do Rio Grande do Sul, foi trabalhar como engraxate e ascensorista em Porto Alegre e, mais tarde, estudar na escola agrícola de Viamão (RS). Fundador do PTB no Rio Grande do Sul, Brizola, disse Simon, elegeu-se deputado da Assembléia Constituinte gaúcha, onde conheceu o ex-presidente João Goulart (Jango) e sua futura esposa, dona Neusa Brizola, irmã de Jango.

- De deputado, foi prefeito; de prefeito, governador. Como governador, se destacou. Era impressionante como um governador estadual naquela época podia fazer o que ele fez. Construiu 5,5 mil escolas, seguindo a sua paixão, a educação. Enfrentou a telefonia estrangeira, encampou a companhia de energia elétrica e transformou-se em ícone internacional por sua posição nacionalista - narrou Simon.

A liderança de Brizola na Campanha da Legalidade, que garantiu a posse de Jango em 1961, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, foi destacada por Simon. Na ocasião, lembrou o senador, o então governador do Rio Grande do Sul levou a Rádio Guaíba para dentro do Palácio de Piratininga (sede do governo gaúcho) e outras rádios do país retransmitiram suas palavras. Assim, continuou Simon, os militares recuaram e com a intermediação do Congresso, Jango pôde tomar posse.

- Brizola, pelo microfone da rádio, derrotou os militares e toda sua força - registrou o senador.

Durante o exílio de 15 anos iniciado após o golpe de 1964, Brizola continuou lutando e, segundo Simon, dizia que, -se tivesse que se aliar com o diabo contra os militares, o faria-. Com a anistia, Brizola voltou para o Brasil, e teve grande participação na luta pela democracia, ainda que Simon apontasse divergências pessoais com o político morto.

O senador registrou ainda que, como governador do Rio de Janeiro por duas vezes e como candidato a presidente em 1989 e 1994, Brizola sempre defendeu os mesmos ideais, com honestidade absoluta.

- Quando veio a ditadura, entraram em sua casa, fizeram o que podiam e não podiam, para encontrar alguma coisa, mas não encontraram uma vírgula contra a dignidade e a seriedade de Brizola. Foi um homem que não se acomodava, apaixonado por suas idéias. É difícil encontrar a garra e a vontade que tinha Brizola. Convivi com grandes políticos, mas somente Brizola vivia apenas para política, de manhã, de tarde e de noite. Não fazia nada que não fosse a sua paixão, 24 horas por dia, pela política - relatou Simon.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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