Mão Santa: desvincular salário mínimo do reajuste da Previdência "será uma desgraça total"

Da Redação | 18/05/2004, 00h00

O senador Mão Santa (PMDB-PI) criticou a idéia, lançada por alguns ministros do governo e apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de desvincular o salário mínimo dos reajustes da Previdência Social. "Isso é coisa do núcleo duro e insensível do Palácio do Planalto. Mas, se cumprida, será uma desgraça total", afirmou.

Para ele, o governo tem de encontrar uma forma de aumentar o salário mínimo, mas não pode prejudicar milhões de aposentados, "muitos deles responsáveis pelo sustento de seus filhos e netos". Ele leu trechos de uma entrevista do estudioso Guilherme Delgado, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento, o qual sustenta que o verdadeiro programa social brasileiro é a Previdência Social.

- Diz o pesquisador: os benefícios da Previdência chegarão a R$ 120 bilhões este ano, enquanto o programa Bolsa-Família, principal programa do Fome Zero, prevê usar R$ 5,7 bilhões. Está na entrevista: se não existisse a Previdência Social, o percentual de pobres do Brasil subiria de 34% para 45,3% da população - disse Mão Santa.

O senador acrescentou que, se houver a desvinculação do salário mínimo dos reajustes da Previdência, quase 20 milhões de brasileiros entrarão na faixa de pobreza, conforme declaração do próprio pesquisador, que é assessor do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e um estudioso dos efeitos de políticas sociais sobre a distribuição de renda.

O senador do Piauí disse que o Brasil tem de seguir os exemplos econômicos e sociais do Chile, que conseguiu entrar num círculo virtuoso de crescimento e de bem-estar da população "que nem parece um país que pertence à América Latina". Lá, "o salário mínimo já é de US$ 250 e são exigidos no mínimo oito anos de escola de qualquer pessoa - tudo gratuito, exceto o ensino superior, que é pago".

Mão Santa leu notícias do jornal Diário do Povo, do Piauí, onde a secretária de Assistência Social, Rosângela Sousa, culpou o governo federal por não ter liberado verbas para a manutenção do Complexo de Defesa da Cidadania, onde um incêndio no último dia 8 acabou matando sete adolescentes. "Ela é do PT. O governo de lá é do PT. Isso é canibalismo político", afirmou o senador.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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