Efraim: PT massificou o apadrinhamento político

Da Redação | 14/05/2004, 00h00

O líder da Minoria, senador Efraim Morais (PFL-PB), acusou o governo do PT, nesta sexta-feira (14), de inchar, encarecer e aparelhar a máquina administrativa. Ele citou informação publicada no último dia 9 no Correio Braziliense de que o custo do aparelhamento do Estado está em torno de R$ 100 milhões - valor que teria sido consumido entre janeiro de 2003 e abril de 2004 com a importação de militantes petistas e aliados políticos para ocupar cargos de confiança no governo federal. Segundo o líder, além de pagar pouco aos servidores, o governo ignorou o sistema de mérito e massificou o apadrinhamento político, que tanto criticava.

- Apadrinhamento que lhe gera rendimentos diretos e indiretos: rendimento direto decorrente do tributo que cada militante lhe paga do salário recebido, e rendimento indireto pelo domínio político que passa a exercer sobre a máquina administrativa do Estado, que é pública e não pode estar submetida a partidos políticos - afirmou.

Efraim Morais disse que o país vive uma situação anômala, já que o contribuinte, que paga os salários dos servidores do Estado com seus impostos, acaba subsidiando indiretamente os cofres do PT . Ele disse também que, de acordo com a mídia, o PT é hoje o partido com maior volume de recursos para gastar. "Talvez já nem precise dos préstimos do sr. Waldomiro Diniz", comentou.

O senador acrescentou que o governo do PT atropelou os servidores de carreira e, ao final, fez decair a qualidade do serviço prestado, lesando o contribuinte, "a quem cabe pagar a conta da farra". E registrou que nenhum governo pós-Constituição de 1988, que tornou o concurso a única via de acesso ao serviço público, fez algo parecido.

Num detalhamento dos custos do que qualificou de aparelhamento do Estado, o líder afirmou que, apenas no quesito auxílio-moradia aos "servidores importados", foram gastos em 2003 pelo governo Lula R$ 27,3 milhões, enquanto o governo de Fernando Henrique Cardoso gastou R$ 14,7 milhões em seu último ano de governo. De acordo com Efraim, aquele valor corresponde a quase 30% do que foi aplicado efetivamente em subsídios à habitação popular pelo atual governo e a 20% do empenhado para obras de urbanização de favelas.

O senador registrou ainda que R$ 50 milhões foram gastos em ajudas de custo só em 2003. E condenou a formatação de uma estrela do PT nos jardins do Palácio da Alvorada, afirmando que se demonstrou, ali, "falta de zelo pelo que é público e, com uma eloqüência que dispensa comentários, a evidência de que se está aparelhando o Estado".

Para o líder da Minoria, é preciso não confundir governo com Estado. Efraim sustentou que a importação de servidores "é uma política cara, ineficaz, desestabilizante e que torna o país refém de um partido político - algo tão ameaçador ao Estado democrático de Direito quanto o hábito de expulsar jornalistas cuja opinião contraria o governante de plantão".

Em outro trecho de seu discurso, Efraim registrou que o relatório do deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) sobre a medida provisória que trata do salário mínimo não recebeu uma deliberação da comissão mista na última quinta-feira (13) porque o PT, o PMDB e o PSB obstruíram a votação da matéria. O senador aconselhou os deputados a não seguirem o governo, afirmando não ter dúvidas de que o Senado irá aprovar a proposta do relator de fixar o salário mínimo em R$ 275,00.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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