Sarney homenageia Barão de Mauá e pede prioridade para ferrovias, que podem aumentar exportações
Da Redação | 30/04/2004, 00h00
No dia em que se comemora os 150 anos da primeira ferrovia brasileira, inaugurada por D. Pedro II em 30 de abril de 1854, para interligar o Rio de Janeiro a Petrópolis, empreendimento do Barão de Mauá, o presidente do Senado, José Sarney, pediu prioridade para essa modalidade de transporte, que reduz custos e confere maior competitividade às exportações brasileiras. Sarney disse que o país precisa investir no transporte intermodal, lembrando a visão estratégica que Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, teve na sua época ao interligar o porto e o interior do Rio por ferrovia.
Sarney lamentou que o Brasil, com a dimensão de sua costa marítima, não tenha estimulado a navegação de cabotagem, observando que o país não possui mais nenhuma bandeira própria no transporte marítimo internacional. O presidente do Senado disse que o país já teve 40 mil quilômetros de ferrovias, reduziu para 29 mil e peca por falta de condições de utilização, porque muitos desses trechos estão sucateados.
O senador lembrou de sua tentativa de restaurar a importância do transporte intermodal em seu governo, com a conclusão da Ferrovia do Aço e o seu empenho na construção da Ferrovia Norte-Sul. Na sua avaliação, se os seus sucessores tivessem mantido a prioridade para a modalidade ferroviária, viabilizando o escoamento da safra agrícola do Centro-Oeste e o aumento da produção de grãos, talvez o Brasil não estivesse debruçado em teorias econômicas, discutindo questões como o Fundo Monetário Internacional e os efeitos do seu receituário econômico.
Em resposta ao aparte do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), Sarney disse que não guarda ressentimentos pelo que ocorreu com a Norte-Sul, duramente criticada pelos opositores ao seu governo. "Ninguém pode matar uma boa idéia e a história mostra isso", ponderou. Sarney disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante conversa que manteve com ele, confessou que nem sabe a razão pela qual se posicionou contrário à construção da Norte-Sul na administração do ex-presidente da República, e comprometeu-se a finalizar a ferrovia, importante para escoar a produção agrícola do Centro-Oeste e principal meio de escoamento do minério de ferro de Carajás até o porto de Itaqui, em São Luiz (MA). O presidente do Senado disse que sonha ver o território brasileiro cortado por ferrovias de norte a sul e de leste a oeste.
A líder do PT, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), considerou que a recuperação do transporte ferroviário é um dos temas fundamentais para conferir sustentabilidade ao desenvolvimento do país. A senadora lembrou que a participação dessa modalidade na matriz de transportes brasileira é de apenas 24%, enquanto no Canadá e de 46% e de 81% na Rússia. O discurso recebeu ainda apartes dos senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Cristovam Buarque (PT-DF), Heráclito Fortes (PFL-PI), José Jorge ( PFL-PE), Marcelo Crivella (PL-RJ), e Mão Santa (PMDB-PI). Sarney homenageou dois parlamentares que se dedicam ao setor: o deputado Carlos Santana (PT-RJ), que é metalúrgico e ferroviário, e o senador Alberto Silva (PMDB-PI), que tem se dedicado a lutar pela prioridade aos transportes intermodais.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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