Papaléo alerta para o perigo de lixões próximos a aeroportos
Da Redação | 24/03/2004, 00h00
O senador Papaléo Paes (PMDB-AP) alertou em Plenário, nesta quarta-feira (24), para o perigo representado pela instalação de lixões nas proximidades de aeroportos. Ele apontou para o crescimento das ocorrências de acidentes aéreos provocados por aves. Papaléo informou que na década de 90 a média de colisões de pássaros com aviões chegou a 150 por ano. A partir do ano 2000, acrescentou, esse número ultrapassou os 300 por ano, em todo o país. O senador destacou que o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), é o campeão desse tipo de acidente. Em segundo e terceiro lugares estão os aeroportos Tom Jobim, no Rio de Janeiro (RJ), e Juscelino Kubitschek, de Brasília (DF).
- De acordo com especialistas, o choque de um avião a cinco quilômetros do chão, a uma velocidade de 300 quilômetros por hora, com uma ave de apenas um quilo e meio, por exemplo, é capaz de provocar um impacto que varia de seis a oito toneladas em uma aeronave - explicou o parlamentar.
Segundo Papaléo, a instalação de lixões perto dos aeroportos representa uma das causas de atração dos pássaros. Ele tratou a questão do lixo como um dos principais problemas que precisam ser resolvidos pelas prefeituras. O senador informou também que, de cerca de 76% dos 70 milhões de quilos de lixo doméstico que são produzidos por dia no Brasil são lançados a céu aberto, em lixões. E que apenas 13% do lixo depositado em lixões são controlados. Destes, somente 0,9% vão para aterros sanitários e um percentual de 0,1% passa por um processo de incineração.
Em aparte, o senador Mão Santa (PMDB-PI) lembrou que no primeiro livro publicado no Brasil sobre higiene o autor Afrânio Peixoto afirmava que a saúde pública no Brasil era "tratada pelo sol, pela chuva e pelos urubus".
Para o senador Duciomar Costa (PTB-PA), o principal problema mesmo é a falta de cuidado. Ele lembrou que só existe urubu nos locais onde tem lixo. Na avaliação da senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA), o problema do lixo extrapola a responsabilidade do gestor municipal. Ela acredita que a função dos prefeitos é mobilizar a sociedade através de um programa de educação. Também em aparte, o senador Ramez Tebet (PMDB-MS) lamentou que ainda exista uma quantidade imensa de brasileiros famintos procurando alguma coisa para saciar a fome nos lixões das cidades. Outro que lamentou a situação das pessoas que vivem nos lixões em busca da sobrevivência foi o senador Romeu Tuma (PFL-SP).
Prefeitura de São Paulo
O senador Papaléo Paes reforçou a as declarações do senador Ramez Tebet (PDMB-MS), que rebateu críticas feitas pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, de que "o Senado está enrolando para aprovar" a autorização para um empréstimo de US$ 100 milhões que a prefeitura paulista está pleiteando junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento.
- É o próprio governo federal, através da edição de medidas provisórias, que faz com que o Senado e a Câmara transformem-se em figuras decorativas do processo legislativo - lamentou Papaléo.
Em aparte, o senador Leonel Pavan (PSDB-SC) rebateu as críticas da prefeita Marta Suplicy e defendeu uma lei para punir os prefeitos que não tratarem adequadamente a questão do lixo nas suas respectivas cidades.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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