Alvaro critica política do "é dando que se recebe" para aprovar as reformas

Da Redação | 18/11/2003, 00h00

A frase -é dando que se recebe-, cunhada pelo então deputado Roberto Cardoso Alves em 1988 e transformada em símbolo do fisiologismo, foi citada pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR) para retratar o comportamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva diante da votação das reformas no Senado. Ele disse que as declarações do presidente da República, de condicionar a reforma ministerial à aprovação das reformas da Previdência e tributária, revelam uma barganha e expõem as contradições do PT, que, no seu entendimento, caminha na contramão de sua pregação histórica.

- É lamentável que o destino de milhões de trabalhadores do país que dependem de um sistema de previdência social justo e eficiente esteja entregue em mãos que negociam. Confesso que poderia esperar tudo, menos este comportamento do PT no governo - afirmou Alvaro Dias.

O senador pelo Paraná criticou a reforma da Previdência proposta pelo governo, que, na sua avaliação, não respeita os direitos adquiridos, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. As verdadeiras motivações do governo para aprovar as mudanças no modelo previdenciário, explicou Alvaro Dias, estão contidas no discurso de posse do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O ministro teria dito que o objetivo da reforma é garantir o compromisso brasileiro com o ajuste de suas contas não apenas no presente, mas também no futuro.

Interpretando as palavras de Palocci, Alvaro Dias disse que a intenção do governo é garantir o ajuste estrutural definido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) visando garantir o pagamento das dívidas externa e interna. Outro objetivo, acrescentou, é abrir para o capital financeiro o mercado previdenciário, -que deve alcançar R$ 670 bilhões até 2010-.

Em aparte, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) comentou que não se surpreenderá se o número de ministérios for ampliado para que o governo possa abrigar seus aliados. Ele também opinou que o governo Lula faz muito marketing, fala muito, age pouco e é cruel com os que não podem se defender, como os aposentados e os portadores de necessidades especiais.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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