Heloísa Helena diz que espírito guerreiro de Lauro Campos continua vivo

Da Redação | 14/01/2003, 00h00

Muito emocionada e sem conseguir conter as lágrimas, a senadora Heloísa Helena (PT-AL) afirmou, durante o velório do senador Lauro Campos, estar vivendo um momento de grande tristeza. Ela destacou, no entanto, que o espírito guerreiro de Lauro Campos estará renascendo dentro de cada um. Para Heloísa, o Congresso Nacional perdeu seu intelectual mais preparado.

- Quando morre uma pessoa muito querida, morre um pouco da gente também. O maior presente que podemos dar a ele é continuar nos dedicando às mais belas causas em defesa da humanidade, pelas quais ele lutou a vida toda - disse.

Heloísa Helena declarou ter acompanhado a dor cotidiana de Lauro Campos e especialmente a da viúva do senador, Oraida Policena, que, segundo a parlamentar, foi o grande amor da vida dele. A senadora afirmou que Lauro e Oraida viveram uma relação de 50 anos de amor, carinho, respeito e afeto.

A representante de Alagoas disse ainda que, apesar de Lauro Campos não ter conseguido ser reeleito na última eleição, ele não foi de fato vencido, pois conseguiu -não ser derrotado pelas conveniências do poder-.

- É um momento de muita tristeza para todos nós, que convivemos mais diretamente. Lauro Campos tinha a admiração de todos os senadores, mas a gente, que tinha muita amizade por ele, está muito sofrida - concluiu, chorando.

HOMENAGEM

Pouco antes da saída do féretro, Heloísa Helena, muito emocionada, prestou sua última homenagem a Lauro Campos, lendo trecho do texto -O beijo, o voto, a rosa-, de autoria dele:

- Conheci as três idades da vida e as quatro estações em que desdobram e mudam, a cada ano, as belezas do mundo. Sorri em todas elas; em todas choro as lágrimas de minha consciência fundida no caminho da solidariedade com os explorados-trabalhadores e aposentados, com os excluídos-crianças, mulheres, deficientes e desempregados, com os idosos e os marginalizados. Quero também ser mais feliz, mais completo e mais realizado, mas sei que só posso rir sem envergonhar-me do riso, só posso rejubilar-me e alegrar-me sem que aqueles gestos expressem meu egoísmo e meus privilégios, se todos formos alegres juntos, se rompermos as conchas do egoísmo e as muralhas reacionárias.

A parlamentar afirmou que morria um pouco dela junto com Lauro Campos e que, no Senado, fica a admiração de todos. No PT, no PDT e no Bloco de Oposição, continuou a senadora, fica a saudade de todos aqueles que não se envergonham dos seus corações socialistas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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