Suicídio causa um milhão de mortes por ano no mundo, diz Alcântara, citando dados da OMS
Da Redação | 31/10/2002, 00h00
O senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) utilizou dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) para afirmar que, das aproximadamente 340 milhões de pessoas que sofrem, em todo o mundo, de depressão, esquizofrenia, demência, retardamento mental, estresse pós-traumático e epilepsia, só 25% têm acesso a tratamentos adequados. Embora não constituam causa direta de óbito, as desordens neuropsiquiátricas, segundo a OMS, contribuem para a redução da expectativa de vida, além de conduzir ao suicídio, motivo da morte de um milhão de pessoas por ano.
Alcântara aproveitou a passagem de outubro, mês em que se comemora o -Dia Mundial da Saúde Mental-, para falar sobre as doenças neuropsiquiátricas e celebrar os avanços obtidos pelo Brasil no atendimento aos portadores dessas moléstias. Como exemplo, citou o Programa Saúde Mental, conduzido pelo ex-ministro da Saúde José Serra, que imprimiu ampla reforma na assistência psiquiátrica. O senador destacou que o programa busca reduzir a média diária de permanência hospitalar no Sistema Único de Saúde (SUS) de 49 para 40 dias de 5.500 pacientes, garantindo-lhes incentivo-bônus para assistência, acompanhamento e integração fora da unidade hospitalar.
Em seu discurso, Alcântara citou estimativas feitas pelos professores Miguel Jorge e Jair Mari, do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina, segundo as quais no Brasil uma entre quatro pessoas deve apresentar transtorno mental ao longo da vida e 34 milhões de brasileiros estão, neste momento, sofrendo de um dos segmentos da moléstia. No ano passado, quando da sanção da Lei da Reforma Psiquiátrica, o então ministro José Serra reconheceu que, no país, perto de cinco milhões de doentes necessitavam de tratamento regular, lembrou o senador.
As previsões da OMS para próxima década são alarmantes, ainda segundo Alcântara. A crescente violência, o abuso do álcool e de outras substâncias psicoativas têm ocasionado o aparecimento de moléstias neuropsiquiátricas em contingentes populacionais cada vez mais jovens.
O senador destacou um lado positivo relacionado à questão da saúde mental: a atuação dos profissionais da saúde, que, observou, estão conseguindo mostrar ser possível organizar uma consolidada rede de assistência, inclusive com o apoio da opinião pública. Alcântara destacou as oficinas terapêuticas, os núcleos de atenção psicossocial, os grupos psicoterápicos de diversas tendências, a enfermagem psiquiátrica, a fisioterapia, a fonoaudiologia, a terapia ocupacional, a musicoterapia e a arteterapia. Os agentes de todas essas atividades trabalham no sentido de mudar o modelo assistencial, acrescentou.
De acordo com Alcântara, no âmbito do Congresso Nacional, deve-se articular a aprovação das leis que promovam os direitos da pessoa assistida em saúde mental, como moradia, passes de ônibus e bolsas de trabalho. Deve-se, igualmente, promover um movimento nos meios de comunicação de massa, visando reverter o preconceito em relação ao que se convencionou chamar de doença mental.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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