Lula: entendimento com o Congresso é fundamental

Da Redação | 29/10/2002, 00h00

Menos de 48 horas depois da consagração nas urnas, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou o Congresso. Veio, segundo ele próprio, deixar claro que o entendimento com o Legislativo será fundamental para o sucesso de seu governo. Lula reuniu-se primeiramente com o presidente do Senado, Ramez Tebet, e vários senadores, que interromperam a sessão plenária desta terça-feira (29) e foram ao gabinete de Tebet desejar boa sorte ao presidente eleito.

O trajeto de Lula, da entrada subterrânea do Senado até o gabinete da Presidência, foi marcado por grande emoção. Cerca de 500 pessoas o esperavam na chapelaria e no Salão Azul. Houve aplausos, um coro e pedidos de aperto de mão. Sorridente e sem se importar muito com o esquema de segurança, cumprimentou admiradores anônimos e chegou a afagar alguns conhecidos.

Logo depois, suando muito, o presidente eleito foi efusivamente cumprimentado por senadores de partidos diversos, e até deputados, que preferiram não esperar a visita que ele faria em seguida à Câmara. Tratou com especial atenção o senador e deputado eleito, Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB), a quem beijou no rosto.

Acompanhado de seu vice, o senador José Alencar (PMDB-MG), do senador eleito Aloizio Mercadante (PT-SP) e do deputado José Dirceu, Lula manifestou a disposição de ter diálogo constante e permanente com o Congresso.

- O Brasil precisa dar uma chance a si mesmo e recuperar a capacidade produtiva, mas esse trabalho não pode ser feito só por uma pessoa - disse Lula, que anunciou o nome do senador Tião Viana (PT-AC) para ser o interlocutor no Senado da equipe de transição, a ser coordenada pelo ex-prefeito de Ribeirão Preto Antonio Palocci. O interlocutor na Câmara será o deputado João Paulo Cunha (PT-SP).

Em tom de brincadeira, Tebet disse a Lula que no Senado não precisaria haver transição, uma vez que a Casa está sempre aberta ao diálogo com o presidente eleito e seus colaboradores.

- O Congresso nunca faltou no cumprimento do seu dever na história do Brasil - lembrou Tebet.

Lula manifestou o seu desejo de começar um bom relacionamento com o Senado e com a Câmara mesmo antes da posse. Informou que o líder em exercício do PT, senador Tião Viana (PT), logo começará a conversar com os demais líderes partidários sobre as prioridades do novo governo.

A lei orçamentária, que deve ser votada até o dia 15 de dezembro e determina o Orçamento da União para 2003, será o principal alvo de negociação em um primeiro momento, afirmou Lula. Segundo Ramez Tebet, o presidente eleito tem todo o interesse em modificar a lei orçamentária porque esta será "o espelho de como ele vai governar".

- Se tiver que promover alterações, isso será feito por meio dos partidos políticos que venham a apoiar Lula. O objetivo é que o novo presidente tenha o orçamento que desejar e considerar melhor para o Brasil, mas isso depende de aprovação do Congresso - alertou Tebet.

Receberam Lula todos os senadores presentes na Casa, entre eles Tião Viana, Romeu Tuma (PFL-SP), Jefferson Péres (PDT-AM), Lúdio Coelho (PSDB-MS), Osmar Dias (PDT-PR), Carlos Wilson (PTB-PE), Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), Romero Jucá (PSDB-RR), Emilia Fernandes (PT-RS) e Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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