Editora do Senado republica primeiros quadrinhos brasileiros
Da Redação | 13/08/2002, 00h00
Os leitores mineiros vão poder conhecer um pouco mais da história do país através dos quadrinhos. Livro editado pelo Conselho Editorial do Senado, lançado no 3º Salão do Livro de Minas Gerais, traz de volta As Aventuras de Nhô-Quim e de Zé Caipora, personagens criados pelo jornalista ítalo-brasileiro Angelo Agostini, na segunda metade do século 19.
Agostini é considerado o fundador do gênero no Brasil. Com seus quadrinhos, ele retratou os costumes da época, criticou o poder imperial e defendeu a abolição da escravatura no país. Hoje, Agostini empresta seu nome ao mais importante prêmio dos quadrinhos nacionais, concedido pela Associação de Quadrinhistas e Caricaturistas de São Paulo.
Reconhecer o trabalho pioneiro de Agostini entre os mais importantes quadrinhistas do mundo é um dos objetivos do organizador do livro, Athos Eichler Cardoso. Segundo o presidente do Conselho Editorial, senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), a partir de agora os personagens de Agostini poderão ser valorizados como merecem e comparados com, por exemplo, o Menino Amarelo, primeiro quadrinho americano da era moderna.
As Aventuras de Nhô-Quim e de Zé Caipora traz as imagens dos quadrinhos digitalizadas diretamente dos originais das coleções das revistas Vida Fluminense, O Malho e Don Quixote. Para facilitar a leitura, o texto foi redigitado, já que os manuscritos originais são de difícil compreensão. A ortografia e a gramática foram atualizadas, mas respeitando o estilo da época.
Por conta do baixo número de alfabetizados naquela época, Agostini valeu-se da perícia de que dispunha nos desenhos - que representavam movimentos de sombrancelhas, caras e bocas de forma realista - para que o texto não se tornasse imprescindível na compreensão da história.
- As histórias em quadrinhos são componentes importantes da cultura popular. A presença de Angelo Agostini, o jornalista mais popular do século 19 pela sua combatividade em favor da cidadania e dos direitos humanos, já está consolidada na visão dos historiadores brasileiros - afirma Lúcio Alcântara.
O estande do Senado aproveitou a passagem do cartunista mineiro Ziraldo Alves pelo Salão do Livro para entregar-lhe uma cópia do livro com os quadrinhos de Angelo Agostini. Agradecido, o autor de O Menino Maluquinho, parabenizou o Senado pela iniciativa de trazer de volta a publicação.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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