Emilia pede voto de pesar pela morte de Tim Lopes
Da Redação | 10/06/2002, 00h00
Ao justificar o requerimento que apresentou de voto de pesar pela morte do jornalista Tim Lopes, a senadora Emilia Fernandes (PT-RS) afirmou que as autoridades não podem permitir que o assassinato do repórter fique impune. Para ela, é preciso "exigir a captura e a punição de todos os responsáveis", além da restituição do corpo do jornalista a sua família.
A parlamentar desejou que a morte de Tim Lopes seja "o impulso necessário à adoção de uma política séria de combate ao tráfico de drogas". Ela afirmou que o repórter da Rede Globo de Televisão foi executado no exercício de sua profissão, quando tentava gravar, com uma câmara escondida, flagrantes de tráfico de drogas e prostituição de adolescentes na favela Cruzeiro, no conglomerado de favelas cariocas conhecido como "Complexo do Alemão".
- A comunicação precisa ser exercida com liberdade, com responsabilidade. Calar a imprensa é calar a voz das ruas, é ocultar o que a sociedade pensa sobre seus governantes e temas do cotidiano. Os traficantes estão usando a violência extrema para impor seus limites, para definir suas regras, para estabelecer seus domínios. Este crime hediondo causa revolta e indignação. A morte de Tim é um brado de alerta para todos nós, governos, políticos, educadores e a sociedade em geral - afirmou a senadora.
Emilia Fernandes fez um breve resumo da carreira do jornalista, cuja morte, aos 51 anos, foi anunciada pela polícia do Rio de Janeiro. Gaúcho de Pelotas, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 8 anos. Batizado como Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento, foi no Complexo do Alemão que Tim Lopes realizou a matéria que lhe rendeu o Prêmio Esso de Jornalismo, em 2001, ao flagrar o que ficou conhecido como "Feira do Pó", onde três quilos de cocaína eram vendidos, por dia, a céu aberto.
Tim Lopes celebrizou-se também pelas reportagens em que, disfarçado, retratava a realidade cotidiana. Como mendigo, mostrou a vida dos meninos de rua do Rio de Janeiro, com os quais conviveu por dois dias. Vestiu-se de operário para denunciar as péssimas condições de trabalho de canteiros de obras no Rio de Janeiro. E permaneceu internado, por dois meses, em clínicas de tratamento de ex-viciados em drogas, mostrando como esse tipo de tratamento é realizado.
Com 30 anos de profissão, era visto pelos colegas como "um dos mais corajosos e audaciosos repórteres de sua época", informou a senadora. Trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo, O Dia, Jornal do Brasil, O Globo e ainda na revista Placar. Deixou viúva Alessandra Wagner, e órfão André Lopes, 17 anos, do primeiro casamento. Na presidência da sessão, o senador Lúdio Coelho (PSDB-MS) solidarizou-se com Emilia Fernandes.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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