Senadores discutem normas para rodeios
Da Redação | 06/06/2002, 00h00
Os senadores discutiram nesta quinta-feira (6) o projeto que regula os rodeios no país, impondo normas de defesa sanitária e de proteção aos animais. O debate ficou polarizado entre os parlamentares que entendem ser o rodeio uma tradição já arraigada nas comunidades rurais e aqueles que consideram a prática lesiva aos animais. A proposta não chegou a ser votada em virtude de pedido de verificação de quórum feito pela senadora Marina Silva (PT-AC).
De autoria do deputado Jair Meneguelli (PT-SP), o projeto recebeu parecer favorável do senador Moreira Mendes (PFL-RO) e estabelece que as disposições gerais relativas à defesa sanitária animal também se aplicam aos rodeios, além de definir as responsabilidades das entidades promotoras dos rodeios. Assim, cada evento deverá contar com infra-estrutura para atendimento médico, transporte apropriado e garantia da boa condição física dos animais.
Outra novidade é a obrigatoriedade da confeçção de cintas, cilhas e barrigueiras (material para instigar o animal) em material que não cause sofrimento aos touros e cavalos. Marina Silva apresentou duas emendas à proposta proibindo o uso de esporas e sedém (encordoamento que é preso à virilha do animal para fustigá-lo). Além disso, ela quer que a realização dos rodeios seja comunicada às autoridades com antecedência mínima de 30 dias.
Moreira Mendes argumentou que a aprovação das emendas inviabilizaria a prática de um esporte, segundo ele, responsável por 180 mil empregos diretos e quase 1 milhão indiretos. Também contrário às emendas, o senador Lúdio Coelho (PSDB-MS) disse que o sedém não machuca os animais.
- Não é para machucar, mas para fazer cócegas. Aquilo não machuca nada - disse. A senadora Heloísa Helena (PT-AL) disse que, sendo o material inofensivo, poderia ser dispensado. Já o senador Lauro Campos (PDT-DF) sugeriu a substituição dos sedéns por "pó-de-mico".
Adiamento
O adiamento da votação por falta de quórum forçou o encerramento da ordem do dia e a não votação dos projetos que estavam em pauta. Dessa forma, deixaram de ser votados o projeto que trata do uso de depósitos judiciais para pagamento de dívidas judiciais pelos estados; dois projetos da Comissão Mista de Segurança Pública; a proposta de emenda à Constituição que trata do limite de despesas das câmaras legislativas, além de autorizações para o funcionamento de rádio e de televisão.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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