Emília elogia Vale e diz que privatização foi um erro

Da Redação | 04/06/2002, 00h00

Em seu discurso de homenagem aos 60 anos da Companhia Vale do Rio Doce, a senadora Emilia Fernandes (PT-RS) disse que a empresa não deveria ter sido privatizada, por ser estratégica para o desenvolvimento nacional e, na verdade, muito mais do que uma simples empresa de mineração - tem a mais extensa malha ferroviária do Brasil, com 15 mil quilômetros de linhas, e grandes investimentos na geração de energia elétrica.

A senadora lembrou também as denúncias de corrupção no processo de privatização da Vale do Rio Doce e exigiu a apuração das versões que indicam uma cobrança de propina de R$ 15 milhões por parte do ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira ao empresário Benjamin Steinbruch. Segundo as denúncias, Ricardo Sérgio cobrou a propina de Steinbruch, para garantir a participação do fundo de aposentadorias e pensões do Banco do Brasil, a Previ, no consórcio liderado pelo empresário e que iria disputar em leilão a compra da Vale do Rio Doce.

Apesar da lembrança das denúncias e de exigir a apuração dos fatos, a senadora Emília Fernandes disse que a Companhia Vale do Rio Doce continua em sua trajetória de sucesso, tendo consolidado sua posição como maior companhia de mineração diversificada das Américas e maior grupo exportador do Brasil. Deve ainda a Vale tornar-se brevemente a maior produtora mundial de cobre e umas das três maiores fornecedoras de bauxita, alumina e alumínio.

Emília fez também um histórico da empresa, desde a fundação, em 1942, pelo presidente Getúlio Vargas, que aproveitou a situação internacional no pós-guerra, com a Europa semidestruída e uma grande necessidade de insumos e matérias primas no mercado mundial para criar a empresa. A senadora disse também que todo o minério de ferro localizado no quadrilátero formado pelas cidades de Conselheiro Lafayette, Mariana, Sabará e Itabira, em Minas Gerais, estava em mãos estrangeiras.

A partir da Revolução de 1930, Getúlio conseguiu, aos poucos, nacionalizar as reservas minerais do Brasil, e em março de 1942 obteve dos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos a assinatura dos acordos de Washington, que transferiram para o governo brasileiro as jazidas de Itabira e a Estrada de Ferro Vitória a Minas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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