Emilia lamenta morte de João Amazonas

Da Redação | 31/05/2002, 00h00

A senadora Emilia Fernandes (PT-RS) lamentou nesta sexta-feira (31) a morte do presidente de honra do Partido Comunista do Brasil (PC do B), João Amazonas, ocorrida na tarde de segunda-feira (27), em São Paulo. Na opinião da parlamentar, a trajetória de João Amazonas confunde-se com a história política do Brasil do século XX. Prova disso é que ele abraçou como poucos as lutas populares, defendendo, em seus 90 anos de existência, a democracia, o socialismo e o respeito aos direitos humanos.

Emilia Fernandes lembrou que João Amazonas participou da guerrilha do Araguaia, ocorrida entre 1972 e 1974, quando camponeses e militantes do PC do B organizaram-se contra o governo militar e foram severamente reprimidos pelas Forças Armadas. Ainda de acordo com a senadora, este episódio foi tão marcante para o político que motivou seu último pedido à família: que suas cinzas fossem jogadas no sul do estado do Pará, onde ocorreu a guerrilha.

Nascido em 1º de junho de 1912, em Belém do Pará, João Amazonas entrou para o PC do B em 1935. Líder sindical, defendeu a soberania nacional, foi fundador de diversas entidades de classe. Fiel aos princípios socialistas, continuou a senadora, jamais se intimidou ante as perseguições políticas, que o levaram diversas vezes à prisão, à clandestinidade e a anos de exílio.

Dirigente do PC do B desde 1946, João Amazonas foi o deputado da Constituinte mais votado do Distrito Federal, na época, o Rio de Janeiro. Em 1962, observou a senadora, participou da organização do PC do B e assumiu a presidência da agremiação partidária. No começo dos anos 80 lutou pela anistia ampla e irrestrita, propondo a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte e de eleições diretas para a Presidência da República.

- Por sua história de luta, de coerência e participação política, de combate ao retrocesso e pela postura de homem que sempre enxergou à frente de seu tempo, sua memória permanecerá viva e sua história servirá de exemplo a homens e mulheres que como ele defendem a soberania nacional, as liberdades democráticas e a plena cidadania a todo o povo brasileiro - resumiu.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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