Profissionais que trabalham com saúde mental elogiam especial da TV Senado

Da Redação | 23/11/2001, 00h00

O especial que a TV Senado vem apresentando sobre a reforma psiquiátrica brasileira repercutiu positivamente entre os profissionais que lidam com a saúde mental. A emissora recebeu pedidos de instituições ligadas ao assunto para que o programa seja apresentado como material didático em faculdades de psicologia e psiquiatria e na 3ª Conferência Nacional de Saúde Mental, que se realizará em Brasília entre os dias 11 e 15 de dezembro.

O programa aborda as mudanças no tratamento das doenças mentais, desde o fim da Idade Média, quando teve início o sistema de isolamento dos doentes, até os últimos anos, marcados pela defesa da inclusão social do paciente mental e pela redução drástica da quantidade de estabelecimentos de internação. O especial apresenta números que revelam o impacto das doenças mentais no mundo atual e o seu peso para a economia - segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 400 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de transtornos mentais ou distúrbios psicossociais, inclusive os relacionados ao álcool e às drogas.

Um dos principais problemas sofridos pelos doentes mentais, relatado no programa por especialistas da área, é o estigma que carregam os pacientes, agravado na maior parte das vezes pelas condições indignas a que são submetidos.

- A loucura é como um transbordamento. Um rio que sai de suas margens. O ciclo da maior parte da humanidade indica que os indivíduos vivam nas suas margens, mas temos alguns que transbordam as margens e apresentam um comportamento estranho - explica Marcus Vinícius de Oliveira, presidente do Conselho Federal de Psicologia.

O programa apresenta experiências inovadoras de tratamento psiquiátrico, como o Instituto de Saúde Mental de Brasília e a TV Pinel, do Rio de Janeiro, que procura inserir o paciente por meio da produção de vídeos. Há também espaço para opiniões favoráveis a estruturas mais tradicionais de atendimento. "O hospital psiquiátrico é necessário, mas não nos moldes tradicionais", opina Carmem Brider, da Federação Brasileira de Hospitais.

Mas a linha condutora do programa é o respeito ao doente mental, com a promoção de sua dignidade e inclusão social. Este sentimento é sintetizado nas palavras de Artur Bispo do Rosário, interno durante décadas do Instituto Pinel, no Rio de Janeiro, e autor de obras de arte reconhecidas internacionalmente: "Os doentes mentais são como beija-flores; nunca pousam, vivem sempre a dois metros do solo".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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