Gilvam: governador do Amapá não tem autoridade para conter violência no estado

Da Redação | 18/10/2001, 00h00

O senador Gilvam Borges (PMDB-AP) analisou nesta quinta-feira (18) as causas do aumento da violência no país que, afirmou, supera em número de vítimas conflitos como a Guerra dos Bálcãs e lutas étnicas na África. Na avaliação do senador, o Brasil vive um estado de guerra civil não declarado, provocado pela deterioração dos indicadores sociais e pelo aumento da exclusão social. Esse quadro, avalia o senador, é agravado pela inação de algumas autoridades. Ele acusa especificamente o governador de seu estado, João Capiberibe, a quem considera incapaz de resolver o problema, por estar envolvido em "diversos escândalos de superfaturamento de obras públicas".

Dados da polícia do Amapá e do IBGE, citados por Gilvam, indicaram, entre 1999 e 2000, o registro de 100 mil ocorrências policiais para uma população de pouco mais de 400 mil habitantes.

- Mesmo diante desse clima, a segurança da população é encarada pelo governador como assunto secundário. Basta dizer que as verbas destinadas à segurança pública são inferiores ao orçamento do Gabinete Civil e da área de publicidade do governo - disse Gilvam, acusando Capiberibe de não aplicar devidamente recursos de mais de R$ 7 milhões do governo federal enviados para suprir as necessidades da área de segurança.

Gilvam Borges solicitou que o Senado envie ao Ministério da Justiça e ao Tribunal de Contas da União pedido de informações sobre a aplicação, pelo governo do Amapá, dos recursos públicos repassados pela União.

Em aparte, o senador Lindberg Cury (PFL-DF) elogiou a preocupação de Gilvam com a questão da violência. Cury disse que em Brasília o problema tem-se agravado pelo fato de a cidade constituir-se em pólo de atração no interior do país. Como conseqüência, o Distrito Federal tem hoje uma população de 2 milhões de habitantes - a previsão quando da construção de Brasília era de 400 mil pessoas no ano 2000.

- O resultado é que a estrutura de educação e saúde da cidade não consegue atender a esta população - disse o senador, informando ainda que, somada às cidades do entorno do Distrito Federal, a população na região chega a 3,5 milhões de pessoas.

AUTORIDADE MORAL
O senador Ademir Andrade (PSB-PA) saiu em defesa de Capiberibe. Ele disse que o governador, também integrante do PSB, tem recebido a aprovação da população do Amapá. "João Capiberibe já foi prefeito de Macapá, elegeu o seu sucessor, se reelegeu para o governo do estado e é um dos governadores mais conceituados do país", frisou Ademir, para quem as acusações de Gilvam decorrem de interesses que Capiberibe teria contrariado.

- Vossa Excelência é aliado de gente que já fez muita coisa ruim no estado - completou Ademir.

Gilvam Borges desqualificou a defesa feita por Ademir Andrade, a quem acusou de não ter autoridade moral para falar em nome do povo amapaense. "Convido o senador a conhecer de perto a incompetência, o mar de lama e o desastre que é o governo Capiberibe", disse. Gilvam Borges ainda acusou Ademir Andrade de ser "um bajulador" do governador. E ameaçou trazer a Plenário informações de escândalos envolvendo Ademir no Pará.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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