Evasivas de Cupello irritam senadores

Da Redação | 25/09/2001, 00h00

O vice-presidente de finanças do Vasco, Mário Cupello, negou nesta terça-feira que tenha qualquer responsabilidade sobre a atuação do funcionário do departamento de Futebol Aremithas José de Lima, suspeito de atuar como "laranja" em operações patrocinadas por dirigentes do clube. Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol, Cupello disse desconhecer depósitos regulares na conta de Aremithas de 1995 a 2000, no valor de R$ 13,5 milhões. Para o relator da CPI, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), é estranho que Cupello, apesar de estar à frente dos negócios do clube, desconheça a quantia depositada na conta pessoal de Aremithas.

Indagado sobre a utilização do dinheiro que era depositado na conta de Aremithas, Cupello disse apenas que os recursos eram para pagamento de "despesas do Vasco". Mas não soube precisar quais eram essas despesas porque, informou, vai à sede do Vasco apenas às terças e quintas-feiras, após as 18h, o que provocou irritação de Althoff.

- Como pode o homem responsável pelo controle de milhões de reais de um dos maiores clubes brasileiros comparecer duas vezes por semana ao Vasco e desconhecer transações milionárias? Isso mostra como anda de mal a pior o futebol brasileiro - afirmou o senador.

Cupello também disse desconhecer cheques datilografados pela mesma máquina que preenche os cheques do clube destinados a empresas imobiliárias, empreiteiras e pessoas físicas assinados por Aremithas José de Lima, envolvendo milhões de reais. O senador Romeu Tuma (PFL-SP) disse estranhar que o vice-presidente de finanças do clube não tenha conhecimento dessas transações. "Afinal de contas, qual a sua função no clube?", perguntou o senador. Cupello ficou em silêncio, mas Althoff leu parte do regulamento interno do clube mostrando que sua função é acompanhar tudo o que diz respeito às contas do clube.

O vice-presidente de finanças do Vasco disse também desconhecer o destino de um cheque no valor de US$ 110 mil que o clube recebeu da Confederação Sul-Americana de Futebol, endossado pelo então vice-presidente de futebol do clube, deputado Eurico Miranda, e que acabou sendo depositado em Nova York em uma conta com o nome fantasia de Diamond .Apesar de garantir que o Vasco não tem conta bancária fora do país admitiu, entretanto, que o clube remeteu cerca de R$ 12 milhões ao exterior para compra de jogadores, os quais não soube especificar, ressaltando que não participou na operação da remessa. O presidente da CPI, Álvaro Dias, informou, com base em outros depoimentos de dirigentes vascaínos, que o dinheiro foi remetido por Eurico Miranda. Mas disse não ter conhecimento da compra de passes de jogadores estrangeiros na época em que o Vasco remeteu os R$ 12 milhões.

O senador Geraldo Althoff quis saber os motivos pelos quais foi depositada na conta pessoal do vice-presidente do Vasco, Antônio Frutuoso Peralta, a quantia de R$ 1 milhão, conforme comprovam documentação bancária. Cupello disse desconhecer a transação, mas garantiu que Antônio Peralta "sempre cumpriu com as suas obrigações perante o clube" e que as suas contas nunca mereceram desaprovação da direção.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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