Para João Alberto Souza, presos tentam constituir poder paralelo

Da Redação | 23/02/2001, 00h00

As rebeliões ocorridas simultaneamente em 27 presídios de São Paulo, no último domingo (dia 19), foram qualificadas pelo senador João Alberto Souza (PMDB-MA) como "uma demonstração de força nunca vista anteriormente, exibida para deixar claro que o controle dos presídios brasileiros não está nas mãos do Estado".

- Está, sim, sob o comando dos presos - completou.

Na avaliação do parlamentar, essa é só mais uma das razões pelas quais a sociedade não está tranqüila. A descrença da população em relação à capacidade do poder público de enfrentar o problema aumenta, segundo o senador, quando os próprios poderes constituídos se desentendem quanto à interpretação das leis e quanto ao trato a dar aos criminosos.

Para João Alberto, a crescente violência nos presídios é decorrente da postura negligente do governo, que não tomou nenhuma medida para conter o uso de celulares por parte dos presos. Soma-se a isso, continuou o senador, o fato de o mesmo governo que combate o crime permitir o comércio de armas, na sua visão algo tão contraditório quanto inaceitável.

Baseando-se em matérias de jornais, João Alberto disse que o grau de organização dos presos reflete o poder dos marginais nas ruas. Segundo O Globo de 20 de fevereiro, "o poder por trás das grades é espelho do poder nas ruas". O senador ressaltou que a questão dos celulares já o preocupa há algum tempo. Lembrou que no dia 22 de novembro passado encaminhou à consultoria legislativa do Senado Federal solicitação de projeto de lei proibindo a disponibilidade e o uso desse meio de comunicação por detentos.

A respeito das armas, depois de mencionar que estatísticas informais falam em mais de 20 milhões de armas de fogo em situação irregular no Brasil, o senador lembrou que existe no Congresso Nacional um projeto do governo no sentido proibir a sua venda.

Mesmo condenando qualquer brutalidade contra os presos e considerando essencial o respeito aos direitos humanos, o senador entende que presídios não podem ser "um lugar bom para lá ficar". João Alberto Souza parabenizou a intervenção de forças do Estado para conter a violência nos presídios e entende que é dessa maneira que se mantém a ordem. Ele argumentou que não se deve abrir brechas para que as organizações marginais ocupem espaço e perpetrem barbaridades.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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