SIMON APRESENTARÁ PROPOSTA DE CRIAÇÃO DO "BANCO DO POVO"

Da Redação | 19/11/1999, 00h00

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu, em discurso no plenário nesta sexta-feira (dia 19), a criação de um banco popular para o cidadão "que não tem nada". Ele informou que apresentará emenda neste sentido à proposta de emenda constitucional que cria o Fundo de Erradicação da Pobreza - parte do relatório do deputado Roberto Brant (PFL-MG) na Comissão Mista para a Erradicação da Pobreza.
- O Brasil não tem, até hoje, uma proposta social vitoriosa, todas ficaram pela metade. O país tem tantas leis, tantos projetos, tantas entidades preocupadas com o social, mas nada funciona. Somos de uma incompetência, de uma falta de sensibilidade e profundidade impressionantes nesse sentido. A gente se esforça mas não consegue um projeto nacional, amplo, aberto e com alcance - disse.
Para Simon, o relator é "bem intencionado", mas "não foi feliz em suas conclusões". O senador comentou que o relatório faz uma análise sobre cada projeto examinado pela comissão - e que continuarão tramitando de forma independente - e apresenta como proposta final a criação do Fundo de Erradicação da Pobreza.
- O fundo não pode ser aprovado como o relator quer, com a criação de um conselho de nove membros, que decidirão como serão feitas as aplicações, todos escolhidos pelo governo federal - protestou.
O senador também lançou a idéia de criação de um fundo para obras necessárias, em que o governo entregaria o dinheiro diretamente à comunidade para execução de obras sociais "de absoluta necessidade". Ele disse ter tido uma experiência vitoriosa nesse sentido quando foi governador do Rio Grande do Sul.
Simon elogiou a oportunidade criada pela comissão de discutir a pobreza de frente, "de modo concreto e real" e destacou a importância da apresentação de números, conceitos e experiências concretas nas audiências da comissão.
A senadora Marina Silva (PT-AC), em aparte, disse que "a desculpa para a miséria no Nordeste é a falta dágua" e perguntou "qual a desculpa no Norte, onde as pessoas vivem sobre a água?". Para a senadora a causa da miséria "é o modelo concentrador de renda, que não dá oportunidades".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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