MOZARILDO PROTESTA CONTRA INTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZÔNIA

Da Redação | 12/11/1999, 00h00

O senador Mozarildo Cavalcanti (PFL-RR) afirmou nesta sexta-feira (dia 12) que o presidente Fernando Henrique Cardoso precisa rechaçar, com vigor, as tentativas que poderão ser feitas para limitar a soberania brasileira sobre a Amazônia durante a reunião do G-7 (grupo que congrega os sete países mais ricos do mundo), a realizar-se em Florença, no final do mês. Fernando Henrique foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, a participar da reunião como observador.
Citando artigo do jornalista Carlos Chagas, publicado no jornal Correio Braziliense, Mozarildo afirmou que os países ricos vão lançar uma "isca" ao governo brasileiro acenando com o abatimento de parte de nossa dívida externa em troca de compromissos, "uma espécie de cessão parcial de nossa soberania na Amazônia, em nome da preservação do que chamam pulmão do mundo".
Para Mozarildo, as tentativas de internacionalização da Amazônia não representam novidade. "Nós, da bancada da região no Senado, temos denunciado esses fatos quase diariamente. Mas governo e sociedade têm teimado em não nos ouvir. Precisamos redobrar os esforços para "acordar" as elites empresariais e políticas do Sul-Sudeste, antes que seja tarde", advertiu.
O senador por Roraima lembrou que o Estado Maior das Forças Armadas está realizando, no Rio de Janeiro, um seminário sobre a Amazônia. "As Forças Armadas brasileiras têm manifestado preocupação com as tentativas internacionais de obter "parcerias" para explorar as riquezas da Amazônia, em especial, substâncias da medicina natural. Seria bom que o presidente levasse alguns desses oficiais para assessorá-lo em Florença, alertando-o para o fato de a soberania na região ser, também, um assunto militar".
Em aparte, o senador Lauro Campos (PT-DF) afirmou que "o presidente Fernando Henrique não tem credibilidade para representar os interesses do Brasil na reunião do G-7, depois que se vendeu ao FMI e aos bancos internacionais".
Também em aparte, o senador Edison Lobão (PFL-MA) rebateu as críticas de Lauro Campos sobre o presidente Fernado Henrique. "Dizer que o presidente não pode defender os interesses brasileiros seria decretar a desordem democrática. As instituições estão funcionando normalmente e o presidente cumprindo suas funções, dentro do sistema democrático. Temos problemas sim, mas esse tipo de crítica não ajuda em nada", concluiu.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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