CAS APROVA ESTABILIDADE NO EMPREGO PARA AIDÉTICOS

Da Redação | 15/09/1999, 00h00

Os portadores do vírus HIV não poderão ser despedidos senão por motivo de falta grave ou circunstância de força maior, devidamente comprovada. Essa regra, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), foi estabelecida em projeto do senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) aprovado em caráter terminativo, por unanimidade, pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em reunião realizada nesta quarta-feira (dia 15). A matéria segue agora para a Câmara dos Deputados, salvo se houver recurso para que seja submetida ao plenário do Senado.
O relator da matéria, senador Tião Viana (PT-AC), disse que no Brasil há registro de 145 mil casos de pessoas infectadas pelo vírus da AIDS. Segundo ele, estima-se que até o ano 2000 quase 5% da mão-de-obra esteja com o HIV.
- Infelizmente, na maioria das empresas, a regra ainda é a demissão quando se descobre que o empregado é soropositivo. Alguns avanços já foram alcançados no que diz respeito à discriminação dos chamados grupos de risco. Recentes decisões de tribunais regionais do trabalho têm sido no sentido de não permitir a discriminação e a despedida arbitrária dos portadores do HIV. Mas, sem uma lei que estabeleça a estabilidade do portador do vírus da AIDS, não existe o direito líquido e certo de ele ser reintegrado em sua antiga função na empresa - justificou o senador do PT.
Pelo projeto aprovado, o Poder Executivo fica encarregado de regulamentar a lei no prazo de 60 dias após sua publicação. Os senadores Paulo Hartung (PSDB-ES) e Heloísa Helena (PT-AL), vice-presidente da CAS, elogiaram a iniciativa de Lúcio Alcântara e o parecer de Tião Viana.
A CAS aprovou ainda, por unanimidade e em caráter terminativo, projeto de lei que autoriza a criação do Conselho Federal dos Técnicos Industriais, bem como dos conselhos estaduais da categoria. A proposição, de autoria do senador Ernandes Amorim (PPB-RO) e que teve parecer favorável do relator, senador Moreira Mendes (PFL-RO), dá autonomia a esses profissionais, que somam 600 mil em todo o país e são vinculados, atualmente, aos conselhos regional e federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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