SUASSUNA DESTACA MOBILIZAÇÃO NORDESTINA POR MEDIDAS CONTRA A SECA
Da Redação | 31/08/1999, 00h00
Em decorrência dos efeitos da seca nordestina, os prefeitos das regiões mais afetadas realizarão, no próximo dia 15, o SOS-Seca, protesto através do qual reivindicarão do governo federal políticas eficazes e permanentes contra a seca. O registro foi feito nesta terça-feira (dia 31) pelo senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que explicou a estratégia dos prefeitos "Há a possibilidade de interdição de rodovias e decretação de feriado no dia 15 de setembro, como forma de viabilizar a adesão e a expressividade do protesto contra o descaso das autoridades centrais".O movimento, informou Suassuna, é articulado por associações municipalistas dos estados nordestinos, sob coordenação da entidade em Pernambuco, onde 3 milhões de pessoas da região metropolitana da Grande Recife "sofrem o pior racionamento de água da história". No Nordeste e no norte de Minas Gerais e Espírito Santo, 706 municípios decretaram estado de emergência ou de calamidade pública, enquanto avaliação da Sudene aponta outras 676 cidades em estado considerado crítico, acrescentou o senador. Além de planos permanentes, o SOS-Seca reivindica o aumento do salário pago nas frentes produtivas (de R$ 60 para R$ 136) e manutenção do programa por cinco anos.Suassuna disse que nesta terça-feira (dia 31) representantes das prefeituras reúnem-se em Recife com o superintendente da Sudene, Aloísio Sotero, "para discutir mais um plano de ação contra a seca", já que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) constatou baixa recuperação das reservas hídricas e intensificação da seca até o final do ano.Jefferson Péres (PDT-AM) aparteou Suassuna para destacar que a gravidade do processo de desertificação, que pode vir a atingir180 mil quilômetros quadrados nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará, exige uma ação conjugada dos poderes públicos. José Eduardo Dutra (PT-SE), por sua vez, salientou que fenômenos climáticos como a seca nordestina são cíclicos e hoje podem ser previstos com alto grau de confiabilidade, "mas nossas elites governamentais insistem em tratar o problema como emergencial". O Plano Plurianual (PPA), divulgado hoje pelo governo, integra projetos contra a seca e Dutra disse esperar que "eventos como esses não se transformem em meros factóides", com medidas estruturais sendo adiadas permanentemente.Suassuna afirmou ter ficado satisfeito com o pronunciamento do presidente da República na apresentação do PPA e manifestou sua esperança de que o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, "seja realmente levado adiante". O projeto de transposição foi considerado por Dutra "de uma falta de profundidade técnica absurda". O senador pela Paraíba concordou, mas enfatizou que o projeto limitou-se à análise da viabilidade econômica, faltando a finalização do estudo técnico. O senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), por sua vez, lembrou que os reservatórios de água decorrentes da conclusão de seis hidrelétricas no Tocantins também poderão beneficiar o Nordeste. Ele contestou que o PPA seja um factóide "como a entrega de 1,5 milhão de assinaturas por uma CPI da Telebrás", pois "o que tivemos hoje de manhã foi uma tomada de decisão que conta com o apoio expressivo do Senado".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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