ANDRADE VIEIRA ACUSA BC.POR DIFICULDADES DO BAMERINDUS
Da Redação | 09/06/1999, 00h00
O ex-senador José Eduardo Andrade Vieira e ex-controlador do Bamerindus acusou nesta quarta-feira (dia 9), em depoimento à CPI do sistema financeiro, o Banco Central por ter levado seu banco a dificuldades. "Saíam boatos de dentro do Banco Central, ora difundidos por assessores, ora por diretor, que prejudicaram profundamente o Bamerindus", sustentou Andrade Vieira. - Os boatos começaram em junho de 95, seis meses depois da posse do presidente Fernando Henrique Cardoso. Houve boatos sobre outros bancos e o Banco Central desmentiu. No caso do Bamerindus, questionamos jornalistas que noticiavam sobre as dificuldades e eles não davam os nomes, mas afirmavam que eram pessoas importantes do Banco Central que passavam tudo. Mentira repetida acaba virando verdade. O Bamerindus, o segundo banco do país, foi se enfraquecendo por causa dos boatos. As perdas somaram R$ 7 bilhões até dezembro de 95 - disse o ex-banqueiro.Andrade Vieira informou que, antes da intervenção do BC no Bamerindus, em 26 de março de 1997, tentou negociar com o Banco Central a carteira com créditos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (diferença de pagamentos de mutuários de habitação e saldo devedor final). O BC só aceitava a carteira "com deságio alto, apesar de ter aceitado a mesma carteira de outros bancos com baixos deságios".Informou ainda que, ao tentar renegociar com o BNDES uma dívida de R$ 190 milhões da fábrica de papel e celulose Impacel, integrante do grupo Bamerindus, ouviu do então presidente da instituição, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que tinha ordens do BC para não negociar com o Bamerindus. Mais tarde, após a intervenção no banco, a Impacel foi vendida "por apenas 8 ou dez milhões de reais" e o comprador assumiu a dívida no BNDES. "Eles não renegociaram a dívida da Impacel fomos lá, mas renegociaram sem problemas com o novo dono", disse.- Cabe a esta CPI investigar porque o Banco Central agiu desse jeito com o Bamerindus. Aquilo lá é uma caixa preta e ninguém explica nada a ninguém as razões de suas decisões - lamentou o ex-senador. José Eduardo Andrade Vieira citou fatos que, a seu ver, talvez tenham provocado irritação no Banco Central. Quando era ministro da Indústria e do Comércio, sugeriu ao presidente Itamar Franco uma redução nas taxas de juros. Itamar promoveu uma reunião entre Andrade Vieira e a diretoria do BC, quando ouviu que suas idéias eram inviáveis. O presidente da República determinou então redução na taxa de juros "e não houve a crise que o Banco Central previa". Para ele, foi a partir daí que começaram seus problemas com o BC.Questionado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Vieira desmentiu notícias publicadas nos últimos dias segundo as quais teria sido contatado pelo advogado Marcos Malan, irmão do ministro da Fazenda, para uma negociação que levasse a uma saída para a crise do Bamerindus. O ex-banqueiro disse ter sido informado que o advogado teria se encontrado com o presidente da seguradora do grupo, João Elísio Ferraz de Campos.Respondendo ao relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), Vieira disse que só agora está falando da intervenção e posterior venda do Bamerindus porque antes o caso estava sob sigilo judicial. O senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), vice-presidente da CPI, pediu ao ex-banqueiro que desse os nomes dos assessores e do diretor do BC que espalharam boatos sobre o Bamerindus. "Se eu tivesse provas contra eles, iria direto à polícia", disse José Eduardo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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