CONTADOR DIZ QUE CONSÓRCIO ITAPEMIRIM NÃO PODERIA ESTAR EM DÉBITO
Da Redação | 27/05/1999, 00h00
O contador Antonio Carlos de Morais, que atuou junto ao Consórcio Itapemirim até 1986, acredita que, mesmo que todas as empresas fossem mal durante a administração judicial, não haveria possibilidade de o grupo contabilizar um débito de cerca de R$ 7 milhões. Morais fez a afirmação em resposta a pergunta do senador Djalma Bessa (PFL-BA), durante seu depoimento, nesta quinta-feira (dia 27), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Poder Judiciário.Ao relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA), Morais disse que havia indicações de que a empresa tinha possibilidades de crescimento na época da morte de seu proprietário, Washington Nominato. Morais, que à época era consultor do empresário, revelou que ele tinha intenção de comprar quatro aviões bimotores nos EUA, à vista, para constituir uma empresa de táxi aéreo.- Não posso crer que uma pessoa que esteja quebrando tome essa decisão - afirmou o contador, ao informar que Nominato era uma pessoa de grande visão empresarial.Na época em que Nominato morreu, disse Morais ao senador Carlos Wilson (PSDB-PE), o consórcio era o segundo maior do Brasil, com sete ou oito filiais por todo o país, entregando cerca de 600 carros por mês. O contador informou ainda que o sócio de Nominato, Wellington Khulmann, mantinha um bom relacionamento com ele.O senador Gerson Camata (PMDB-ES) perguntou se Miramar Rocha, mãe do filho de Nominato, procurou-o para ajudá-la a salvar o patrimônio da empresa. Morais informou que ela o chamou a atuar somente depois do "leite derramado". Quando Nominato morreu, continuou, ele ofereceu-se, mas mais tarde não poderia se envolver, pois era responsável por processos contra contadores que haviam participado da administração do consórcio no Conselho Regional de Contabilidade (CRC) do Distrito Federal.Morais informou que, em laudo elaborado pelo perito João D"Ávila, em abril de 1992, foram detectadas fraudes em documentos e outros cálculos feitos pela empresa de auditoria Organimática. Pedido para comparar a reputação do perito e da empresa, Morais disse que não há reparos a fazer ao trabalho de Ávila, enquanto que a empresa, de Roger Blaser, nem está constituída regularmente na junta comercial de Goiânia.O senador Jefferson Péres (PDT-AM) quis saber porque uma firma de Goiânia foi contratada para fazer auditoria do consórcio, se a sede da empresa e o órfão de Nominato, Luiz Gustavo, estavam em Brasília. Segundo Morais, o auditor Roger Blaser morava em Goiânia, assim como a contadora que se responsabilizou pelas avaliações.O processo judicial da administração do Consórcio Itapemirim indica ainda que as empresas do grupo foram adquiridas pelos administradores da massa falida, o que é proibido, segundo Morais. Ele listou ainda pessoas que estariam envolvidas no "conluio de irregularidades", como três contadores que foram suspensos por seis meses pelo CRC do exercício da profissão. Assim, Souto apresentou requerimento, aprovado pela CPI, para que os processos que culminaram na punição aos contadores sejam examinados.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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