PARA FOGAÇA, É CORRETA A POSIÇÃO DO PAÍS EM RELAÇÃO À GUERRA DA IUGOSLÁVIA

Da Redação | 12/05/1999, 00h00

A posição do Brasil em relação à guerra da Iugoslávia está totalmente correta, na opinião do senador José Fogaça (PMDB-RS) que registrou, nesta quarta-feira (dia 12), o debate ocorrido na Comissão de Relações Exteriores sobre o assunto. O país, segundo o senador, tem uma posição de absoluto equilíbrio nesta questão, que é o respeito às minorias étnicas e a defesa da paz.O senador explicou que surgiram interpretações equivocadas quando o embaixador Celso Amorim, como representante do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, votou contrariamente à moção da Rússia, que condenava o bombardeio à Iugoslávia. O documento russo "atinha-se a condenar o uso de armas, mas, convenientemente para seus interesses, calava sobre a escalada da violência em que se transformou a política de limpeza étnica empreendida pelos sérvios em Kosovo" disse o senador.- Fechar os olhos para as ações militares e a violência contra civis albaneses no Kosovo é um erro que mesmo os partidos de esquerda no mundo não devem cometer. O governo brasileiro não deseja fechar os olhos para isso. Não apóia a guerra, não dá sustentação aos bombardeios, mas não se esconde atrás de uma atitude de silêncio e indiferença diante do desespero dos habitantes de Kosovo - defendeu.José Fogaça disse que o mundo está perplexo com a região dos Balcãs, acrescentando que há quem tenha chegado "ao disparate de dizer que essa é uma região predestinada para a guerra, lembrando o atentado do conspirador sérvio Gavrilo Princip contra o arquiduque Francisco Fernando da Áustria, que deflagrou a I Guerra Mundial". Para o senador, no entanto, a Sérvia é o único lugar onde a velha burocracia ainda governa e tal como ocorreu na Bósnia, há em Kosovo uma demonstração de incapacidade do verdadeiro diálogo democrático.Em aparte, a senadora Heloísa Helena sugeriu que o Senado faça uma moção defendendo o fim dos bombardeios e a criação de uma missão de paz na região. Fogaça esclareceu que essa proposta já foi tentada, mas acabou recusada pela Otan.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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