ADVOGADO DIZ QUE FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA DE JUNDIAÍ VIAJAVAM SEGUIDAMENTE À EUROPA

Da Redação | 11/05/1999, 00h00

Ao responder ao senador José Agripino (PFL-RN), o advogado Marco Antônio Colagrossi afirmou que os funcionários da Justiça de Jundiaí iam constantemente à Europa, apesar de receberem salários de R$ 800 mensais. Segundo o advogado, eram enviados pelo juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, com dinheiro cuja origem, porém, ele desconhece.O relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA), indagou a Colagrossi quem ajudava o juiz. O advogado disse que todos os funcionários do fórum o faziam, e acrescentou que o juiz que sucedeu Giffoni Ferreira, Alberto Anderson Filho, afastou todos os funcionários ao tomar posse.Ainda respondendo a Paulo Souto, o advogado acusou também o juiz de dar uma velocidade inédita aos processos de destituição de pátrio-poder. Em média, esses processos duram dois anos, mas o juiz conseguia concluí-los em cerca de três meses. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) quis saber como eram elaborados esses processos. O denunciante afirmou que era inventado um procedimento verificatório, com histórias falsas, geralmente amparadas por testemunhos dos próprios funcionários que trabalhavam com o juiz.O advogado também acusou o juiz de retirar dos autos as folhas do processo de adoção que poderiam comprometer o sucesso desta. As páginas eram renumeradas posteriormente. O senador Ramez Tebet (PMDB-MS), presidente da CPI, indagou se as famílias recebiam dinheiro pela adoção, recebendo resposta negativa.O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) disse que o depoimento de Colagrossi revelava um verdadeiro "conluio" envolvendo o juiz, o Ministério Público, a polícia, a administração de Jundiaí e, por fim, o Tribunal de Justiça do Estado. Apesar de considerar a palavra "conluio" demasiadamente forte, Colagrossi concordou. O senador Maguito Vilela (PMDB-GO) detectou haver, ao menos, conivência da Justiça, do Ministério Público e da prefeitura.A senadora Luzia Toledo (PSDB-ES) perguntou por que a sociedade civil organizada não se somou à causa de Colagrossi, que segundo ela não é a causa de Jundiaí, mas a causa de todo o Brasil. Segundo o advogado, o apoio simplesmente não veio. Maguito Vilela complementou dizendo que, em cidades do interior, não se briga com o juiz, com o padre nem com o delegado.O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que não integra a comissão, registrou que esteve com as mães das crianças adotadas irregularmente em Jundiaí, e ficou surpreso ao ver a resistência do juiz em ouvir o depoimento dessas mães. Para o senador, Giffoni Ferreira deveria ser o primeiro a mostrar interesse em ouvir as reclamações.Inspiradas nas Mães da Praça de Maio, na Argentina (que reclamam os filhos desaparecidos durante a ditadura militar), elas formaram o Movimento das Mães da Praça do Fórum de Jundiaí, coordenado por Colagrossi. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) parabenizou Ramez Tebet por ter trazido o assunto à CPI, mesmo sem constar da pauta original.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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