MARIA DO SOCORRO DIZ QUE OPERAÇÃO FOI "ATÍPICA"

Da Redação | 03/05/1999, 00h00

A ex-chefe do Departamento de Operações de Câmbio do Banco Central Maria do Socorro Costa de Carvalho, em depoimento de três horas à CPI do Sistema Financeiro, nesta terça-feira (dia 3), afirmou e reiterou aos senadores que a ajuda aos bancos Marka e FonteCindam foi "uma operação atípica": decidida pela diretoria do BC na manhã do dia 14 de janeiro, o volume e os preços dos contratos em dólares foram definidos depois das 20h do mesmo dia, com o pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros já fechado. Assim, a operação foi registrada no dia 14, mas efetivada no dia 15, "num momento em que o mercado estava absolutamente nervoso" devido à mudança cambial e à saída de Gustavo Franco da presidência do BC. O registro da operação "foi oral, não informal", disse ela ao senador Jáder Barbalho (PMDB-PA). A adjetivação "atípica" aplica-se também porque a operação do BC foi feita diretamente com as duas instituições financeiras, e não via corretora DVTM, do Banco do Brasil, através da qual o BC costumava intervir, desde novembro de 1996, no mercado futuro de dólares. O total dos contratos e a taxa de câmbio específicas para o Marka e o FonteCindam "foram calculados a partir de avaliações técnicas da Diretoria de Fiscalização do BC", informou Maria do Socorro.Por ter sido "atípica", ainda, Paulo Garbato, superintendente interino da BM&F;, solicitou do BC o envio de correspondência confirmando autorização para que a operação fosse registrada no dia 14, explicou a atual consultora da Diretoria da Área Externa do BC ao relator da CPI, senador João Alberto (PFL-MA). Entre a decisão da manhã, comunicada a ela por Demósthenes Madureira de Pinho Neto, e a da noite, Maria do Socorro assegurou que a diretoria do BC atribuiu a Alexandre Pundek, secretário-executivo do Copom, a coordenação dos vários setores envolvidos na operação e as tratativas com os dois bancos. A afirmação desmente depoimento de Pundek à CPI.A consultora negou conhecer Salvatore Cacciola, dono do Marka, Rubem Novaes, consultor que teria supostamente negociado informações privilegiadas para os dois bancos socorridos pelo BC, e Sérgio Bragança, sócio do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes na empresa de consultoria Macrométrica. Ela disse ter sido informada da desvalorização cambial no dia 12 e só ter falado sobre o assunto com Demósthenes Madureira e Francisco Lopes, "meus superiores", tomando todos os cuidados para resguardar a notícia.Quanto à carta da BM&F; alertando o BC para a possibilidade de risco sistêmico, em resposta ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) Maria do Socorro negou qualquer conhecimento, por não ter acompanhado as tratativas diretamente. "Minha atuação, e do meu departamento, foi operacional", alegou. Mesmo assim, em resposta ao relator, a consultora disse que as operações realizadas com os dois bancos "foram absolutamente legais" e que, a seu ver, o momento era "muito sensível, em que a autoridade monetária não poderia correr o risco de não atuar". Telefonemas de Paulo Garbato, no dia 12, seriam demonstração da inquietação que dominava o sistema financeiro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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