SATURNINO VÊ VULNERABILIDADE CONSTRUÍDA POR VÁRIOS GOVERNOS
Da Redação | 24/03/1999, 00h00
O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ) disse nesta quarta-feira (dia 24) que a vulnerabilidade do Brasil diante de especuladores internacionais foi "construída" pelo governo de Fernando Henrique e de seus antecessores. Ele citou o próprio presidente do FMI, Michel Camdessus, que teria creditado à campanha de reeleição à Presidência da República a crise atual do Brasil. Para Saturnino, é preciso cuidar das previsões realistas, pois os percalços apontados pela equipe econômica como impedimentos ao ajuste econômico pretendido pelo governo eram todos previsíveis. O senador perguntou qual foi o índice de ajuste do salário mínimo levado em consideração na proposta de acordo apresentada ao FMI e por que isentar de impostos o capital especulativo se, como o presidente do Banco Central disse, era perigoso, uma "droga financeira". Saturnino alertou para a possibilidade de reação social ao desemprego e à pobreza a partir de maio e afirmou que os planejadores do governo têm que levar isso em conta ao montarem seus planos econômicos.O ministro da Fazenda, Pedro Malan, respondeu que a palavra "vulnerabilidade" utilizada por Saturnino poderia dar a impressão errada de que o Brasil foi um país invulnerável e que de repente, a partir de um determinado governo, o país ficou vulnerável. Para o ministro, as vulnerabilidades brasileiras sempre existiram, mas só ficaram visíveis a partir do fim da inflação, que mascarava e dificultava a sua percepção. Malan recusou-se a aceitar que o Brasil estava melhor em 93, quando a inflação era de 2.700% ao ano e o país era comparado no exterior a um "adolescente bêbado".Em relação ao salário mínimo, o ministro disse que nenhum percentual foi discutido com o FMI e que não há nenhuma decisão por parte do governo quanto ao índice de reajuste a ser empregado a partir de 1º de maio. O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, explicou que o fluxo de capitais de curto prazo é perigoso e que a isenção de impostos para este tipo de investimento, decretada recentemente, não fez qualquer diferença na arrecadação, porque esses capitais deixaram de entrar no país desde o final do ano passado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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