SUPLICY CRITICA DECISÃO DE FHC DE NÃO PARTICIPAR DE DEBATES

Da Redação | 29/06/1998, 13h10

A decisão anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso de não participar de debates com candidatos à presidência, no primeiro turno das eleições, foi criticada hoje (29) pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), líder do Bloco Oposição. "Ele afirmou isso na quinta-feira (25), depois que as pesquisas apontaram ligeira reação sua diante do seu principal adversário Luiz Inácio Lula da Silva. Com essa atitude, estará restringindo o direito do povo brasileiro de conhecer e comparar melhor as ações, atitudes e proposições dos candidatos frente a frente", disse o senador.

Suplicy estranhou o fato de que, há alguns meses, o presidente tenha declarado que "gostaria muito de dialogar com Lula, a quem considera o principal líder de oposição" e, agora, afirmado que "não vai debater com os candidatos, mudando de opinião somente caso venha a cair nas pesquisas".

- Estará ele com receio de que Lula aponte os principais problemas e falhas que ele não conseguiu resolver até hoje, principalmente os relativos às altas taxas de desemprego, erradicação da miséria e distribuição de renda? - questionou o senador, ao sugerir que Fernando Henrique Cardoso estaria negando omodelo norte-americano de eleições, que o inspirou, e que se baseia nos debates públicos entre candidatos.

Suplicy disse esperar que o presidente da República "não venha a seguir o mau exemplo de Jânio Quadros", que usou tal expediente ao se recusar a debater com o próprio Fernando Henrique e demais adversários, quando sagrou-se vencedor da disputa para prefeito de São Paulo. "Jânio venceu as eleições mas não serviu ao seu povo como um bom exemplo de prática democrática", enfatizou o senador.

Por outro lado, o líder petista elogiou a "atitude positiva" do governador de São Paulo, Mário Covas, de se afastar do cargo para disputar a campanha eleitoral para o governo estadual. Nesse caso, acrescentou Eduardo Suplicy, Covas expressou publicamente o fato de não se sentir à vontade em pedir votos e ser governador ao mesmo tempo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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