PRIVATIZAÇÃO DE FURNAS É CONTESTADA POR BENEDITA
Da Redação | 23/03/1998, 10h57
Apesar de ter se posicionado contra a cessão de Furnas para a iniciativa privada, a senadora Benedita da Silva (PT-RJ) defendeu a colocação de rígidas salvaguardas no edital e contrato de privatização. Ela pediu prioridade absoluta para a manutenção do emprego dos funcionários da empresa, mesmo que o novo controlador tenha uma visão gerencial diferente da que hoje é adotada.
- Sou, como todos os que comigo militam na defesa dos interesses do patrimônio nacional, radicalmente contra a cessão de Furnas à iniciativa privada. Contudo, não posso adotar a posição do avestruz e enterrar a cabeça no chão, negando-me a ver o enorme poder de que dispõe o governo federal para impor seus desígnios nessa matéria - comentou.
Benedita da Silva lembrou que o Partido dos Trabalhadores já se pronunciou oficialmente contra o processo de privatização das empresas do setor de energia elétrica. "Julgamos, nós do PT, que o Estado, como representante da sociedade, não pode alienar o patrimônio que já se construiu nessa área, nem declinar da responsabilidade de administrar, gerir e controlar esse setor vital da economia nacional", afirmou.
Na opinião da senadora, Furnas não é apenas mais uma estatal do tipo elefante branco, onde ineficiência e burocracia consomem o dinheiro do contribuinte. "Ela é uma empresa estratégica e de importância capital para o coração produtivo do Brasil", considerou. Benedita ressaltou que, se não é mais possível evitar sua privatização, que pelo menos seja respeitado o patrimônio tecnológico e humano que a empresa representa.
- As modificações que daí advirão, não deverão, todavia, implicarcortes lineares e sumários de pessoal. A prioridade deverá ser o redirecionamento dos quadros cujos setores sejam afetados, de modo a qualificá-los para atuação em outros segmentos do grupo, preservando-lhes o emprego e a motivação pela participação no desenvolvimento da empresa - completou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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