MENEM QUER MERCOSUL COMO GRANDE ZONA DE PAZ

Da Redação | 11/11/1997, 16h30

O presidente da Argentina, Carlos Menem, em pronunciamento na sessão solene realizada hoje (dia 11), em sua homenagem, pelo Congresso Nacional, comprometeu-se a impulsionar "a idéia de declarar o Mercosul uma grande zona de paz", durante a próxima presidência pro tempore desse mercado, que se inicia no semestre que vem e que cabe ao seu país.

Menem disse ser sua intenção trabalhar para que todos os acordos firmados pelo Mercosul com outros países acrescentem à cláusula democrática a cláusula da paz.

- Queremos que o Mercosul seja um interlocutor em todas as grandes questões que afetam o mundo de hoje - garantiu.

Carlos Menem referiu-se ao início do diálogo com o presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a necessidade de se avançar, com firmeza, no projeto de criação de uma moeda comum. Ele disse que, se o Mercosul é uma criação à imagem e semelhança da União Européia, que tem trabalhado arduamente pela moeda comum, não há por que o Mercosul não fazer também o mesmo esforço, a partir da experiência do continente europeu.

Para que isso aconteça, segundo frisou, os países devem harmonizar suas políticas cambiais e fiscais e de juros a longo prazo, e obter um equilíbrio entre as suas dívidas e produtos internos brutos.

O presidente da Argentina afirmou que a consolidação e o fortalecimento do Mercosul constituem a prioridade número um da política externa de seu país. Disse que o processo de integração "transcende o comercial e o econômico" e que os governos brasileiro e argentino decidiram facilitar o livre trânsito das pessoas porque querem que caiam todas as barreiras que dificultam uma maior e melhor inter-relação entre os povos.

- Nosso objetivo é que todos os habitantes do Mercosul tenham os mesmos direitos e obrigações, onde quer que decidam instalar-se nesse imenso território integrado de quase 14 milhões de metros quadrados - assinalou.

Menem disse também que será necessária a construção de uma política comum na delicada questão da liberalização do setor de serviços.

Depois de lembrar o papel do Congresso na redemocratização do Brasil, ele destacou que não se criou ainda uma Comissão Parlamentar de Amizade Brasil-Argentina, embora existam nos respectivos Legislativos muitas comissões dessa natureza com outros países, e conclamou os parlamentares a refletir sobre a necessidade de se incrementarem as relações entre os partidos políticos de ambas as nações.

- Seguramente, produziremos juntos uma cultura nova, de tolerância e de respeito às diferenças - acentuou.

Menem lembrou a manifestação feita ao presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, da prioridade absoluta que representa o Mercosul para o Brasil e para a Argentina e da intenção de negociar em bloco, com uma postura unificada, a iniciativa da Associação de Livre Comércio das Américas, a Alca.

Ele agradeceu o respaldo dado pelo povo e pelo governo brasileiros aos "legítimos direitos" da Argentina na disputa pela soberania das ilhas Malvinas, reiterando o compromisso de recuperá-las pela via da negociação, e destacou o alto nível de cooperação alcançado pelas Forças Armadas do Brasil e da Argentina.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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