AMIN COBRA DO BANCO CENTRAL LISTAS DE "CONTAS FANTASMAS"
Da Redação | 02/06/1995, 13h57
A não divulgação do resultado do recadastramento bancário feito pelo Banco Central foi classificada nesta sexta-feira pelo senador Esperidião Amin (PPR-SC), em plenário, como um "silêncio escandaloso". Para ele, o recadastramento deveria apontar osbeneficiários de "contas fantasmas".
Esperidião Amin (PPR-SC) criticou a "promiscuidade flagrante" entre o Banco Central e o sistema financeiro brasileiro. "Isso é cumplicidade", afirmou o senador, ao comentar a substituição de Pérsio Arida por Gustavo Loyola, ex-presidente do BC e sócio do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega em uma empresa de consultoria que presta serviços à Febraban.
Conforme o senador catarinense, os bancos no Brasil estão sempre na colheita. "Para eles não há seca ou geada, estão condenados a ter sucesso, a ter lucro até com incompetência", afirmou. Esperidião Amin disse ser necessário aprovar rapidamente o projeto de lei de autoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que impõe uma "quarentena" a ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central antes que assumam atividades na iniciativa privada, a exemplo do que já ocorre em muitos países. "O descompasso entre a ética e a lei é culpa nossa", analisou Amin.
Em aparte, o senador Pedro Simon defendeu a escolha de um um nome para presidente do BC que não tenha qualquer ligação com banqueiros. Para ele, ou o escolhido é fiel aos banqueiros e serve a eles, ou é fiel ao governo e serve ao Banco Central. "Como é possível servir a dois senhores?"O senador gaúcho ainda fez um apelo ao presidente da Câmara dos Deputados, Luís Eduardo Magalhães, para que coloque o projeto da "quarentena" na pauta de votação, em regime de urgência.
Lembrando a argüição feita pelo Senado, em 1992, a Gustavo Loyola, Esperidião Amin destacou a falta de respostas do ex-presidente do BC aos questionamentos feitos pelo então senador Mário Covas e por ele próprio sobre as "contas fantasmas", taxa de juros e dívidas dos bancos estaduais. Amin pediu aos assessores do governo que levassem seu apelo ao Banco Central: "Que não me venha o sr. Loyola desinformado, porque as mesmas perguntas serão feitas".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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