Impactos ambientais e econômicos são grandes

O desperdício ao final da cadeia de abastecimento, ou seja, em supermercados, restaurantes e residências, representa em média 10% do total do que é inutilizado.

O número, que pode parecer pequeno, tem, em contrapartida, grandes e drásticas consequências econômicas e ambientais.

Além do valor atribuído ao produto nas gôndolas, perde-se esforço em pesquisa, trabalho do homem do campo, ações de logística e infraestrutura do varejo. Em decorrência disso, há perda de receita para os produtores e aumento dos preços ao consumidor.

Em geral, as famílias minimizam o custo anual do desperdício com enlatados vencidos e pães que acabam mofando. E podem não se dar conta do contrassenso que é comprar em grande quantidade “para aproveitar uma promoção” e vê-las apodrecerem em alguns dias.

Ao projetar o custo desse desperdício para todas as residências do mundo e agregar a ele as perdas ao longo de toda a cadeia de produção, chega-se à cifra de US$ 750 bilhões, segundo a FAO.

As perdas pós-colheita levam embora energia em outros insumos das fases de produção (água, adubos, defensivos), distribuição (embalagens, transporte) e armazenamento. Com apenas um quilo de carne desperdiçada, mais de 15 mil litros de água são lançados fora.

Geraldo Magela
Alan Bojanic, da FAO: o Brasil precisa generalizar boas práticas, como adotar sistemas econômicos de irrigação

De acordo com o relatório Os Rastros do Desperdício de Alimentos: impactos sobre os recursos naturais, publicado pela FAO em 2013, para produzir os alimentos que são desperdiçados em escala global — 30% da produção — são utilizados em torno de 250 quilômetros cúbicos de água por ano, volume que daria para encher 100 milhões de piscinas olímpicas ou 435 lagos como o Paranoá, em Brasília.

Carbono

Segundo o representante da FAO  no Brasil Alan Bojanic, a agricultura consome 70% de toda a água doce utilizada no país. Esse volume poderia ser reduzido à metade com a implantação de um sistema de irrigação econômico, como o gotejamento, tecnologia que revolucionou o padrão agrícola em Israel.

“Nós já temos esse exemplo sendo implementado no semiárido da Bahia. Precisamos generalizar essas boas práticas”, defende Alan. Ele lembra que sistemas eficientes são uma exigência, até em razão das secas, que estão se intensificando com as mudanças climáticas.

O desperdício, por outro lado, provoca a emissão de 3,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Alimentos depositados em aterros sanitários, ou simplesmente descartados no ambiente, também produzem metano, gás com efeito estufa 23 vezes mais potente que o CO2.

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