Soldados da borracha já recebem indenizações

Da Redação | 13/03/2015, 12h31 - ATUALIZADO EM 13/03/2015, 17h10

Quase 12 mil soldados da borracha, bem como as viúvas e dependentes, começaram a receber no dia 2 de março uma indenização de R$ 25 mil do governo federal. Os soldados da borracha são trabalhadores recrutados na 2ª Guerra Mundial, principalmente da Região Nordeste, para a extração do látex na Floresta Amazônica. A proposta de emenda constitucional que previu esse benefício foi promulgada pelo Congresso Nacional em maio do ano passado.

O pagamento está sendo feito em uma única parcela e o depósito acontece junto com a aposentadoria. No total, o governo federal vai desembolsar R$ 289 milhões. A maior parte dos beneficiados vive no Acre (6.895), seguido pelo Amazonas (1.817) e Rondônia (1.637). Os soldados da borracha recebem uma pensão vitalícia no valor de dois salários mínimos.

O senador Jorge Viana (PT-AC) ressaltou que a indenização faz justiça à heróis da Pátria, que largaram suas famílias e foram trabalhar em favor do Brasil. Ele lembrou um pouco da história dessas pessoas.

— O contingente levado para a Amazônia para produzir borracha foi de 55 mil homens. Imaginem as dificuldades que enfrentaram às margens dos rios e quantos morreram. Milhares morreram num esforço de guerra. A eles prometeu-se: “Quando vocês voltarem, serão considerados como pracinhas que foram para a Itália, serão reconhecidos pelo Estado brasileiro”. Isso não aconteceu, disse Jorge Viana, ressaltando que a reparação veio agora.

O senador Gladson Cameli (PP-AC) parabenizou a presidente Dilma Rousseff e a equipe econômica pela liberação dos recursos. Contou que o dinheiro que vai aos beneficiários do Estado do Acre vai dinamizar a economia local.

— Esse dinheiro está chegando em um momento oportuno, porque o Estado está passando por uma situação de alagamento, de questões naturais, e esse dinheiro chega nesse exato momento. Agora, realmente, faz valer o trabalho e o esforço de todos os soldados da borracha, declarou Cameli.

O senador Acir Gurgacz (PDT-RO) também comemorou o pagamento da indenização, uma vez que o reconhecimento é justo e merecido, mas disse que o reconhecimento veio tarde.

— A maioria dos soldados da borracha está hoje com mais de 80 anos de idade. Restam poucos do contingente de mais de 50 mil soldados enviados pelo governo brasileiro para extrair borracha para os Estados Unidos e países aliados durante todo o esforço de guerra.

Em entrevista ao Portal Vermelho, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)  declarou estar emocionada com o início do pagamento das indenizações. Lembrou que essa foi uma batalha iniciada em 2002.

— Minha proposta tentava igualar a pensão desses bravos brasileiros a dos ex-pracinhas que combateram na Segunda Guerra Mundial. Infelizmente não conseguimos 100% do nosso intuito, mas acabou sendo um reconhecimento histórico do papel desempenhado por eles", disse a senadora.

História

Durante a 2ª Guerra Mundial cerca de 60 mil pessoas, a maioria de estados nordestinos, foram levadas à Região Amazônica para trabalhar na extração da seringa. A borracha era enviada aos Estados Unidos e usada nos equipamentos dos Aliados para a guerra contra as forças do Eixo.

Os trabalhadores foram recrutados pelo Semta (Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia), com promessas de melhoria de vida. De acordo com a senadora Vanessa Grazziotin, mais da metade dos recrutados acabou morrendo em razão das péssimas condições em que foram colocados para trabalhar.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)