O que é um algoritmo? Descubra como ele decide o que você vê nas redes sociais
Você já sentiu que suas redes sociais parecem ler seus pensamentos? Ou talvez tenha notado que, após clicar em uma notícia polêmica, seu feed foi inundado por conteúdos semelhantes? Por trás dessa experiência está o algoritmo.
Teóricos da computação como Alan Turing, Donald Knuth e Edsger Dijkstra definiram o algoritmo como uma sequência finita de instruções lógicas e claras para resolver um problema.
É como uma receita de bolo: você entra com os ingredientes (dados), segue passos rígidos e previsíveis e obtém sempre o mesmo resultado. Segundo o autor Thomas Cormen, é um procedimento que transforma uma entrada em uma saída específica.
No entanto, o que se considera algoritmo nas redes sociais é algo muito mais complexo. Na verdade, o termo é usado como uma metáfora de linguagem ou, como define o sociólogo Tarleton Gillespie, uma "sinédoque" — em que uma palavra simples representa todo um ecossistema de engenheiros, modelos de negócio e inteligência artificial.
Diferente da "receita" do algoritmo clássico, as redes sociais usam algo muito mais complexo, o aprendizado de máquina (machine learning), que não segue passos fixos; mas aprende com o comportamento do usuário em tempo real para prever o que manterá esse indivíduo conectado por mais tempo.
Como os algoritmos mudaram nosso feed
Até meados de 2009, as redes sociais eram como murais cronológicos: você via o que os amigos postavam na ordem em que acontecia. Tudo mudou quando as plataformas passaram a usar a classificação algorítmica, amplificando ou suprimindo mensagens conforme o interesse da empresa.
Nesse contexto, como o objetivo é o engajamento, o sistema frequentemente prioriza conteúdos controversos e sensacionalistas, a revolta e polêmica geram lucro. Isso cria uma sensação em que opiniões extremas parecem ser a maioria, alimentando bolhas de desinformação.
O que você tem a ver com isso?
A desinformação prospera onde o engajamento é métrica de sucesso. Por isso, é importante saber como se proteger:
Faça a sua curadoria: você pode "treinar" o sistema. Evite interagir (mesmo que para criticar) com conteúdos visivelmente falsos ou odiosos. Dê sinais positivos apenas ao que você deseja ver mais.
Busque a ordem cronológica: algumas plataformas permitem voltar ao feed por ordem de tempo. Especialistas dizem que isso pode devolver aos humanos o poder de decidir no que focar.
Diversifique suas fontes: não dependa apenas das recomendações do feed. Procure ativamente fontes de notícias diversificadas, com pontos de vista diferentes, e verifique informações nos buscadores da internet.
Em uma sociedade mediada por algoritmos, entender que o seu feed é uma construção artificial e não a realidade plena é o primeiro passo para uma cidadania digital consciente.
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