Reportagem Especial

Nada é para sempre: a vida de quem tentou suicídio

28:02Nada é para sempre: a vida de quem tentou suicídio
1ª parte
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Prevenção do suicídio é tema de reportagem

da Rádio Senado

Movimento Setembro Amarelo visa alertar a população; especialistas destacam

que apoio é fundamental para superar tentativa de suicídio

Setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio. O problema é de saúde pública. Uma pessoa se mata a cada 40 segundos no mundo.  A Organização Mundial da Saúde destaca que 90% dos casos são preveníveis. Se uma tentativa de suicídio indica necessidade de maior atenção, também mostra que é possível superar este momento de dor extrema. Mas como buscar apoio, como ajudar e dar a volta por cima? Este é o tema da reportagem “Nada é para sempre: a vida de quem tentou suicídio”.

Senadores, entidades como o CVV, psicólogos, psiquiatras, representantes do Governo, pessoas que sobreviveram ao suicídio e que perderam alguém próximo ajudam a compreender melhor esse fenômeno tão complexo. 32 brasileiros se matam diariamente. Sabe-se, no entanto, que são muitos mais. A subnotificação é reconhecida. O silêncio, o estigma, o tabu, tornam o assunto pouco debatido. Assim surgiu o movimento Setembro Amarelo.  “A nossa crença é que, com a campanha, a gente consiga diminuir. O sonho é acabar com esse tipo de preconceito. Ele é muito grande. E ele afasta as pessoas do tratamento”, afirma o médico Antônio Geraldo, da Associação Brasileira de Psiquiatria.

A pessoa não quer se matar, mas se livrar da dor, é a chamada ambivalência. Os 30 dias posteriores a uma tentativa de suicídio requerem cuidado ainda maior. “É um período de risco aumentado. Existe uma grande probabilidade de a pessoa tentar novamente, então tanto a pessoa quanto sua família precisam tomar algumas precauções”, explica a psicóloga Karen Scavacini, da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio.

Desde 2014, o Congresso Nacional faz parte da campanha. Autor do pedido para iluminar o monumento neste ano, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) defende que o tema seja tratado de forma natural, como ocorre com outros tipos de doença. “Não é todo mundo que admite que está doente ou que está com problema e a primeira coisa que você faz para ajudar a resolver é admitir que tem esse problema. É um ato de coragem”.

Há quase 60 anos o CVV, entidade não governamental que atua na prevenção do suicídio, oferece serviço de escuta e acolhimento. Por meio do telefone 188 ou pelo site cvv.org.br é possível conversar com um voluntário de forma anônima e sigilosa nas 24 horas do dia.“Esse acolhimento que nós fazemos, meio que abre as portas para que a pessoa que está no momento de dor aguda possa falar e superar um momento crítico, em que o sofrimento parece ser intransponível”, diz Carlos Correa, voluntário do CVV.

Os especialistas explicam que ouvir atentamente, com calma, de forma empática, entender e respeitar os sentimentos da pessoa, mostrar preocupação genuína, com cuidado e afeição, são essenciais. Da mesma forma, devem ser evitados conselhos, mostrar estar chocado ou emocionado, ou ainda minimizar a dor do outro. Frases como “Você tem tudo” ou “Isso é mimimi”, por exemplo, devem ser evitadas. Isolamento, alterações no apetite e no sono, cansaço e falta de energia, dificuldade para se concentrar e pensamentos frequentes de morte são alguns sinais de alerta.

Segundo o último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, as mulheres são as que mais tentam suicídio, representando 69% do total, mas são os homens que mais se matam. Das 12.495 mortes por suicídio em 2017, 9.826 foram de homens. No que se refere à faixa etária, a taxa é maior entre idosos com mais de 70 anos, chegando a 8,9 mortes por 100 mil habitantes, contra 5,5 na média nacional. Mas os índices entre adolescentes são considerados preocupantes e têm aumentado ano a ano.

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