13 mil estudantes de Medicina tiraram nota baixa no Enamed; Senado debate criação de novo exame — Rádio Senado
Ensino superior

13 mil estudantes de Medicina tiraram nota baixa no Enamed; Senado debate criação de novo exame

30% cursos de Medicina e 13 mil de 39 mil estudantes da área tiraram nota baixa no Exame Nacional de Avaliacão da Formação Médica. Um projeto em análise no Senado cria um novo teste para verificar as competências para o exercício profissional: o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (PL 2294/2024). O autor do projeto é o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e o relatório do senador Dr. Hiran (PP-RR) aguarda votação em turno suplementar na Comissão de Assuntos Econômicos.

21/01/2026, 18h13 - atualizado em 21/01/2026, 18h26
Duração de áudio: 02:34
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Transcrição
107 de 351 cursos de Medicina testados no Exame Nacional de Avaliacão da Formação Médica - Enamed - tiraram nota baixa e enfrentarão sanções como limitação de vagas, suspensão de novos ingressos e bloqueio de acesso ao Fies, programa de financiamento do ensino superior. De um total de 39 mil estudantes, 13 mil tiveram resultado insatisfatório. E o Conselho Federal de Medicina, CFM, cogita impedi-los de obter o registro profissional. O Enamed é obrigatório para os formandos em Medicina e para o ingresso em programas de residência médica. Sua aplicação é feita pelo Inep, autarquia do Ministério da Educação. Mas um projeto em análise no Senado pretende separar a avaliação de cursos de graduação - que continuaria sendo feita via Enamed; da verificação das competências para o exercício profissional, que passaria a ser responsabilidade do CFM, por meio de uma outra prova: o Exame Nacional de Proficiência em Medicina - Profimed. A ideia é fazer na Medicina o que já acontece na área de Direito, onde somente os aprovados no Exame da OAB conseguem seu registro profissional. Da mesma forma, a obtenção do CRM que autoriza o exercício clínico seria condicionada à aprovação no Profimed. O autor do projeto, senador Astronauta Marcos Pontes, do PL de São Paulo, argumenta que os cursos de Medicina têm se multiplicado no país sem o devido controle de qualidade: (sen. Astronauta Marcos Pontes) "O que nós temos tido no Brasil? Um aumento indiscriminado de cursos de Medicina, sem qualidade, sem, inclusive, muitos deles, sem hospitais para os médicos, os alunos treinarem." Para o relator, senador dr. Hiran, do Progressistas de Roraima, o novo Exame é mais um crivo para evitar mortes por erro médico: (sen. Dr. Hiran) "No Amazonas, uma criança de 6 anos procurou o pronto atendimento e, ali, lhe foi ministrado 6 ml de adrenalina inovenosa. Nenhum adulto conseguiria suportar uma overdose dessa. Se o profissional que atendeu aquela criança tivesse sido adequadamente formado e adequadamente testado, isso não teria acontecido." O relatório do senador dr. Hiran foi aprovado em primeira votação na Comissão de Assuntos Sociais, mas um pedido de vista adiou para este ano a votação final pelos senadores, antes de o projeto seguir para a Câmara dos Deputados. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

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