O momento é de cautela, diz Trad sobre novas tarifas aos produtos brasileiros
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), disse que o colegiado precisa de dados concretos do setor produtivo para formar um juízo a respeito da proposta dos EUA de impor uma nova tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. O governo de Trump também classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Trad não descarta o envio de uma nova missão diplomática aos EUA.

Transcrição
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul, disse que o colegiado precisa de dados concretos do setor produtivo para formar um juízo a respeito da proposta dos EUA de impor uma nova tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. Dias antes, o governo de Donald Trump havia classificado o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Para Trad, o momento exige calma e reflexão. Ele observou que a proposta de novas tarifas ainda depende de consulta pública e de uma audiência prevista para julho.
(sen. Nelsinho Trad) O prazo é curto, mas o Brasil precisa usar todos os caminhos disponíveis para poder defender os seus interesses. Ainda não dá para a gente cravar o impacto sem ouvir setor por setor. A própria proposta traz exceções importantes, mas há produtos que podem ser afetados e, com certeza, se não houver essa reversão, deverão ser afetados.
O senador, porém, não descarta o envio de uma nova missão diplomática aos EUA, nos moldes do esforço que foi feito quando o governo Trump impôs aos produtos brasileiros o chamado “tarifaço”. Trad destacou que o foco da comissão é institucional.
(sen. Nelsinho Trad) O governo federal, Itamaraty, setor produtivo, especialistas, parlamentares brasileiros, interlocutores americanos, a classe empresarial, todos são muito bem-vindos. Quanto menos contaminação política eleitoral tiver nesse momento, melhor vai ser para o país.
A vice-presidente da CRE, senadora Teresa Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, lembrou que o Brasil não é o único país a sofrer com as sanções impostas pelos Estados Unidos.
(sen. Teresa Cristina) Então, eu acho que agora é continuar negociando para ver se a gente consegue estancar, vamos dizer, essas tarifas de 25%, porque inviabilizam realmente aqueles segmentos, aqueles setores que serão tarifados.
A proposta de uma nova tarifa sobre parte das importações brasileiras é fruto de uma investigação feita pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, que concluiu que algumas práticas brasileiras, como o uso do pix, o mercado do etanol e as políticas ambientais, seriam prejudiciais ao comércio estadunidense. Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.

