Sócia de investigado nega movimentações milionárias, chora e se cala na CPMI do INSS
Em depoimento à CPMI do INSS, Ingrid Pikinskeni Morais Santos afirmou que não tinha conhecimento das movimentações financeiras das empresas das quais é sócia com o marido, preso por suspeita de fraudes em aposentadorias. Questionada sobre mais de R$ 150 milhões recebidos pelas empresas, ela exerceu o direito ao silêncio e chorou durante a sessão, que foi interrompida. Parlamentares também criticaram a ausência do presidente do Banco Master e defenderam a quebra de sigilo da instituição.

Transcrição
Em depoimento à CPMI do INSS, Ingrid Pikinskeni Morais Santos negou ter conhecimento das movimentações financeiras das empresas nas quais é sócia com o marido, Cicero Marcelino, que foi preso em novembro em operação da Polícia Federal que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Cicero Marcelino abriu empresas para a Conafer, uma das principais entidades investigadas por envolvimento nas fraudes do INSS. Amparada por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, Ingrid não respondeu a maioria das perguntas feitas pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Alfredo Gaspar: “Por meio das suas empresas aqui, olha, por meio das suas empresas, a senhora recebeu aqui mais de 150 milhões de reais. A senhora é administradora. A senhora já viu alguma prestação de serviço ou fornecimento de material por essas empresas?”
Ingrid Pikinskeni: “Eu não tinha conhecimento de valores, do que entrava, do que saía.”
Alfredo Gaspar : “A pergunta é, a senhora como proprietária dessas empresas, já viu alguma prestação de serviço por meio delas ou fornecimento de material?”
Ingrid Pikinskeni: “Eu vou exercer meu direito de ficar em silêncio.”
Ingrid Pikinskeni chorou ao responder as perguntas e o depoimento foi interrompido.
Durante a reunião, parlamentares do governo e da oposição criticaram o presidente do banco Master, Daniel Vorcaro, por ter cancelado seu depoimento à CPMI, após decisão do ministro do STF, André Mendonça, que desobrigou o banqueiro de comparecer à comissão. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG) disse que irá recorrer.
Carlos Viana: “Porque quando vem uma decisão como essa de uma pessoa não ser obrigada a comparecer, como testemunha que é o nosso caso, isso prejudica, atrasa e gera uma insatisfação muito grande em todo o país e até uma surpresa. Se os senhores observarem bem, quanto mais importante está sendo a pessoa, mais, infelizmente, há aqui uma espécie de blindagem.”
Parlamentares da comissão defenderam também que um requerimento para quebra do sigilo bancário do banco Master seja votado pela CPMI.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Daniele Lessa

